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sábado, 14 de janeiro de 2012

RESUMO EXPOSITIVO DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS

RESUMO EXPOSITIVO DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS: RESUMO EXPOSITIVO DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS: INTRODUÇÃO



Levando em consideração, a alta experiência do apóstolo Paulo com relação a assuntos relacionados à igreja do Senhor, o mesmo proporcionou a dois de seus companheiros, “os quais foram por ele chamados de filhos”, a responsabilidade de estarem à frente de igrejas e os adverti-os de modo sensato e preciso, dando-lhes direção e instrução, afim de que, eles pudessem ter condições suficientes para se manterem firme nesta obra tão árdua. A Timóteo e a Tito, findando a sua missão neste mundo, Paulo, o Apóstolo dos Gentios, endereçou cartas com diversas admoestações, fortalecendo-os quanto a fé e de como deveriam se portar ante as heresias que assolavam a igreja na época, bem como a cerca da formação daqueles que dariam prosseguimento a obra do Senhor. Estas cartas tão preciosas tanto para seus receptores, como para nós igreja, por conterem mais um tratado de conselhos práticos do que compêndio teológico tem sido conhecidas desde os tempos mais remotos como Epístolas Pastorais.











ÍNDICE



Introdução

Epístolas Pastorais; Introdução e cenário Histórico

Autenticidade e Evidência Externa

Evidência Interna:

• Cenário Histórico

• A Linguagem

• A Teologia

• A Eclesiologia

• Os Ensinos heréticos/Conclusão

Época e Local

Primeira Epístola a Timóteo:

• Ocasião e Propósito/Estrutura e Conteúdo/Esboço

Segunda Epístola a Timóteo:

• Ocasião e Propósito

• Estrutura e Conteúdo/Esboço

Epístola a Tito:

• Estrutura e Conteúdo/Esboço

• Esboço (cont.)

Bibliologia









EPÍSTOLAS PASTORAIS

(AS EPÍSTOLAS A TIMÓTEO E A TITO)



INTRODUÇÃO



A Primeira e a Segunda Epístolas a Timóteo e a Epístola a Tito foram pela primeira vez chamadas "Pastorais" no século dezoito, por D.N. Bardot (1703), e popularizadas por esse título em 1726, por Paul Anton. Embora estas epístolas não sejam cartas de teologia pastoral, o título serve convenientemente para distinguir as três, como um grupo, de outras cartas escritas por Paulo. Estas epístolas não são manuais de organização eclesiástica, disciplina da igreja, administração eclesiástica ou métodos eclesiásticos. Paulo estava dando instruções para situações históricas reais de duas igrejas, que estavam sob os cuidados de dois ministros que ele conhecia intimamente. Por esta razão, as epístolas são limitadas quanto ao assunto discutido, mas elas contêm princípios que podem ser usados em igrejas de qualquer época e lugar. As três tem tanta coisa em comum, quanto a estilo, doutrina e alusões históricas, que devem ser tratadas como um grupo, da mesma maneira como as Epístolas da Prisão.

Em contraste com a Epístola aos Hebreus, que não traz no texto nenhuma indicação clara do seu autor, estas três epístolas declaram abertamente terem sido escritas pelo apóstolo Paulo. Há evidência externa, primitiva e bastante forte, em apoio disto, não havendo evidência igual contra esse fato. A incerteza de hoje em dia sobre este ponto deve-se inteiramente a considerações internas e teóricas: estas considerações são de pouco proveito, visto não levarem a uma conclusão e apenas criarem hesitação e desconfiança. Embora o seu tema e, ainda mais, o seu vocabulário possam usar-se em argumento contra a possibilidade da autoria de Paulo, nenhum desses raciocínios é decisivo. Muito ainda se pode dizer sobre o outro lado da questão, e muitos eruditos de responsabilidade tem ainda aceitado a autoria paulina.

As próprias epístolas não somente endossam esta atitude, como também exortam com instância que não nos demos a debates que não produzem efeitos satisfatórios, e que não somente não trazem benefícios positivos, como podem servir para minar em alguns a sua fé. (Ver 1Tm 1.4; 6.20-21; 2Tm 2.14-23; Tt 3.9).

Estas epístolas, todavia, apresentam um dos maiores problemas no Novo Testamento. As cartas tem forte apoio externo; não obstante, há muitas peculiaridades internas, em comparação com outras cartas pau¬linas. Estas peculiaridades são de tal natureza que muitos eruditos bíblicos modernos rejeitam estas cartas como sendo verdadeiramente de Paulo. O estudante que quiser entender estas Cartas Pastorais deve examinar, em detalhes", os problemas envolvidos.



CENÁRIO HISTÓRICO



O cenário histórico colhido destas epístolas é como segue. Depois que Paulo e Timóteo estiveram juntos em Éfeso, Paulo partiu para a Macedô¬nia (I Tm. 1:3), mas esperava voltar logo (I Tm. 3:14). Timóteo havia partido para Éfeso, para cuidar da igreja refutar os falsos mestres que estavam em atividade lá. Uma vez que sua volta podia ser retardada, Paulo escreveu esta carta, para ajudar Timóteo em seu ministério (I Tm. 3:14,15). De maneira semelhante, Paulo estivera em Creta e, ao partir, deixou Tito para cuidar da organização da igreja (Tt. 1:5). Paulo estava, provavelmente, na Macedônia ou em Acaia e queria que Tito se encontrasse com ele em Nicópolis, onde Paulo planejava passar o inverno (Tt. 3:12). De II Timóteo fica-se sabendo que Paulo era um prisioneiro (II Tm. 1:8, 16,17; 2:9). Ele já havia estado perante o tribunal uma vez (II Tm. 4:11,16, 21) e estava aguardando outro aparecimento. Ele tinha pouca esperança de ser solto (II Tm. 4:6). Somente Lucas ainda estava com ele (II Tm. 4:11), Tito tendo sido enviado à Dalmácia (II Tm. 4:10) e Tíquico a Éfeso (II Tm. 4:12); Demas havia abandonado Paulo e retornara a Tessalônica (II Tm. 4:10).

Esta, então, é a informação colhida das três cartas. A ordem dos eventos de I Timóteo e Tito é difícil traçar; a de II Timóteo logica¬mente seguiria as outras duas. Mas, onde, na vida e ministério de Paulo estes eventos podem ser colocados? É esta pergunta que levou ao questio¬namento da autenticidade destas epístolas.





AUTENTICIDADE



Até o século dezenove, estas cartas foram aceitas como cartas genuínas de Paulo. Em 1804, J.E.C. Schmidt expressou alguma dúvida acerca da antenticidade, mas foi F. Schleiermacher(1807) que negou abertamente a autoria paulina de I Timóteo, em bases filológicas. Conseqüentemente, por causa das semelhanças com as outras Pastorais, os críticos começaram a questionar todas as três. Os estudiosos modernos estão divididos com respeito à autenticidade destas epístolas. Há alguns que diriam que paulinista as escreveu, e alguns admitiriam serem fragmentos paulinos genuínos reunidos após a morte de Paulo. Há muitos estudiosos modernos que ainda mantêm a integridade e autenticidade da autoria paulina. As duas áreas amplas de evidência externa e interna serão discutidas ao se apresentar os problemas críticos na determinação da autenticidade.



EVIDÊNCIA EXTERNA



Se a autenticidade fosse decidida somente em bases externas, não haveria nenhuma dúvida acerca da autoria paulina. Há traços destas cartas em Clemente de Roma e Inácio, mas nenhuma citação direta. Há várias palavras e locuções comuns às Pastorais e aos escritos de Clemente e Inácio. Os críticos que atribuem estas cartas a um paulinista do início do segundo século afirmam que o compilador tomou emprestado de Clemente! Policarpo mostra conhecimento mais aguçado das Pastorais I parece citar diretamente delas. Há alusões em Justino Mártir e Heracles, e Irineu indicou diretamente que estas foram cartas de Paulo. Pela época do final do segundo século, as Pastorais eram largamente conhecidas e aceitas como sendo de Paulo. Os traços da circulação das Pastorais na igreja antes da época de Marcião são mais claros que os que podem ser encontrados para Romanos e II Coríntios. Estas três cartas estão incluídas na lista das cartas paulinas, conforme apresentadas no Fragmento Muratoriano.

Os que se opõem à autoria paulina das Pastorais em bases ex¬ternas fazem isto por duas razões: 1) Elas não aparecem no câ¬non de Marcião; 2) elas estão ausentes do mais antigo manuscrito grego existente das cartas paulinas, o p46. Alega-se que as dez cartas paulinas contidas na lista de Marcião indicam que ele não soube da existência des¬tas outras três. Diz-se que estas não estiveram em circulação o suficiente cedo para Marcião incluí-las em seu cânon; que elas foram escritas durante o segundo século, no grande debate contra a heresia de Marcião. Contudo, Tertuliano, em sua polêmica contra Marcião, afirmou que foi por esta razão que Marcião rejeitou três dos Evangelhos, mutilou o terceiro Evangelho, para satisfazer aos seus critérios, mutilou algumas das cartas de Paulo (principalmente Romanos) e rejeitou as cartas que conhecemos como as Pastorais. Esta seleção foi feita em bases doutriná¬rias, e há materiais, nestas cartas (i.e., I Tm. 1:8; 6:20; II Tm. 3:16; etc), que estão em desacordo com os conceitos básicos de Marcião. Deve ser lembrado também que os cristãos ortodoxos do segundo e terceiro séculos aceitaram estas Pastorais como genuínas. Por que deveria ser dado mais peso a uma lista de um conhecido hereje do que àqueles que estão na corrente principal do cristianismo?

A ausência das Pastorais (e Filemom), no p46, é também citada como prova para negar-se a autoria paulina. Contudo, se assim fosse, muito do Novo Testamento seria rejeitado também. Os papiros de Chester Beatty contem fragmentos de um códice dos Evangelhos p46, quase tudo de um códice contendo as cartas de Paulo p46 e fragmentos de outro códice do Apocalipse P47. Concluir-se que somente os livros representados nestes papiros são autênticos seria por em risco todos os que não aparecem. Igualmente, é observado que faltam, no códice existente, denominado P46, a primeira e a última páginas. Estimou-se que pelo menos sete das últimas páginas estão faltando. Pode-se ver que o copista estava começan¬do a aglomerar suas cartas nas últimas páginas existentes, e, assim, dando a impressão de que estava tentando colocar todo o material paulino restante dentro do códice. Normalmente se tomaria nove páginas para as Pastorais e Filemom, mas com a aglomeração de cartas isto poderia ser feito em sete páginas. Deve ser também lembrado que estes papiros foram produzidos em Alexandria, e, os escritores patrísticos de Alexandria, todos reconhecem, sem dúvida, a autenticidade destas quatro cartas ausentes de Paulo. Clemente de Alexandria e seus discípulos aceitaram estas como autênticas muito antes de o P46 ter sido escrito. Portanto, rejeitar-se a autenticidade em bases externas é uma conjetura subjetiva, que deve ser abandonada por qualquer observador honesto.





EVIDÊNCIA INTERNA



Muita parte do questionamento acerca da evidência externa é subjetiva e se torna dúvida e negação reais, devido a considerações e conclusões que surgem da evidência interna. Se devesse ser concluído de considera¬ções internas que Paulo não poderia ter escrito as Pastorais, então, logicamente, o testemunho da igreja primitiva deve estar errado. Os críticos que encontram falha quanto à autoria paulina das Pastorais fazem-no com base em cinco considerações: 1) O cenário histórico; 2) a linguagem; 3) a teologia; 4) a eclesiologia; e 5) os ensinos heréticos a serem combatidos.



1. O Cenário Histórico — Uma das razões principais dadas para a rejeição da autoria paulina é que os lugares e muitas das pessoas mencionadas nas Pastorais não podem ser harmonizados com o que se conhece dos movimentos de Paulo, conforme vistos em Atos e nas outras cartas de Paulo. I Timóteo indica que Paulo, após ter trabalhado em Éfeso por algum tempo, deixou Timóteo (1:3) e foi para a Macedônia. Segundo Atos 19:22 e 20:1, Paulo permaneceu em Éfeso e enviou Timóteo, bem como Erasto, para a Macedônia. Após algum tempo, Paulo deixou Éfeso antes da volta de Timóteo, foi para Corinto, e lá Timóteo o encontrou. Como este é o único lugar, em Atos. acerca de um ministério em Éfeso, deve-se concluir que I Timóteo teve que ocorrer após Atos 28. Na Epístola a Tito, Paulo infere que trabalhou na ilha de Creta e deixara Tito quando foi para a Macedônia ou Acaia (1:5; 3:12). Ele pediu a Tito para encontrar-se com ele em Nicópolis, onde planejava passar o inverno. Nada existe em Atos ou nas cartas de Paulo acerca de um ministério em Creta. Ele passou por lá como prisioneiro, quando ia para Roma, proveniente de Cesaréia (At. 27:7-12), mas não teve nenhuma ocasião ou tempo para um ministério na ilha. Também Paulo — estando a caminho de Roma e os dois anos como prisioneiro lá — passou o inverno, que se seguiu à viagem, em Roma, e não em Nicópolis. Portanto, nenhum dos movimentos de Paulo, conforme apresentados em Tito, pode ser harmo¬nizado com Atos. II Timóteo mostra Paulo como um prisioneiro em Roma, Trófimo deixado doente em Mileto (4:20), Tito na Dalmácia (4:10), Erasto como havia ficado em Corinto (4:20), e que os livros e a capa haviam sido deixados em Trôade (4:13). Timóteo deve chegar antes que o inverno comece (4:9,13). Nenhuma destas informações concorda com Atos. Isto não poderia ter sido durante o chamado primeiro encarceramento romano (o de Atos 28), porque, em II Timóteo 4:12, Paulo está enviando Tíquico a Éfeso, e, embora parecesse ser. Aquela ocasião de Colossenses 4:7, Timóteo estava com Paulo em Roma quando a carta Colossense foi escrita (Col. 1:1).

Como estes movimentos de Paulo não podem ser encaixados no quadro do seu ministério como ele é encontrado em Atos, uma de suas alterna¬tivas deve ser adotada. Ou Paulo não escreveu estas cartas, ou houve um ministério realizado por ele depois de Atos 28. A primeira posição foi adotada por muitos críticos modernos, porque eles não podem aceitar a tradição de uma soltura de Roma e um ulterior ministério, reprisão, e morte sob Nero. A segunda alternativa é a explicação tradicional acerca do cenário para as Pastorais: Paulo foi solto, escreveu I Timóteo e Tito, então sendo preso outra vez, escrevendo II Timóteo de Roma, pouco antes de sua morte.

Atos 28:30,31 dá a impressão de que Paulo foi solto da prisão. O tom dos sete últimos capítulos de Atos, bem como o tom de Filipenses (1:19, 25; 2:24) e Filemom (v. 22), dão a impressão de espera de liberdade. Em contraste, II Timóteo 4:6-8 não dá a mais ligeira esperança de libertação. Existe evidência patrística de que Paulo foi solto da prisão, embora os críticos, aqueles que negam a autenticidade destas cartas, não considerem isto. Em cerca de 95 d.C, Clemente de Roma, escrevendo somente trinta anos após a morte de Paulo em Roma, afirma que Paulo após instruir o mundo inteiro (o Império Romano) sobre a justiça, "e tendo ido até as extermidades do Ocidente, e tendo dado testemunho perante governadores", sofreu martírio em Roma (I Clemente 5). Embora as "extremidades do Ocidente" pudesse significar Roma para os que estavam na parte oriental do Império, isto só poderia significar Espanha para os que estavam em Roma, e Clemente escreveu de Roma, como um romano. O prólogo a Atos, no Fragmento Muratoriano, afirma que Lucas "omite a morte de Pedro e também a partida de Paulo da cidade, quando este partiu para a Espanha". Depois dessa época, não há dúvida, entre os escritores patrísticos, acerca da soltura de Paulo do encarceramento de Atos 28.

Um argumento usado pelos críticos, contra este peso de evidência patrística, é a completa falta de uma tradição na igreja hispânica de que Paulo trabalhou lá. Pode bem ser que Paulo não tenha passado muito tempo na Espanha. Das palavras de Paulo, nas epístolas da prisão, pode ser que, por causa do alarmante crescimento da heresia na província romana da Ásia, ou seu ministério na Espanha foi muito breve ou ele retornou ao Oriente sem ter ido à Espanha. O problema real não é esta ida à Espanha; o problema é se ele obteve sua liberdade e teve um ministério ulterior na parte oriental do Império. Se ele o teve, haveria tempo e oportunidade ampla para que os movimentos revelados nas Pastorais tivessem ocorrido antes de sua morte, após o incêndio em Roma, em 64 d.C.



2. A Linguagem — O argumento mais antigo e de maior peso contra a autenticidade das Pastorais é o da linguagem. Quanto ao estilo, as Pasto¬rais não são argumentativas e são desprovidas do caráter ardente e quebrantado que é tão típico nos outros escritos de Paulo. Estas três cartas são simplesmente instrutivas; a atmosfera, tranqüila e calma. Esta possibilidade poderia ser exatamente assim por causa da natureza e propósitos das cartas: ajudar seus associados mais jovens na obra do ministério e igrejas específicas, com problemas específicos. O estilo de Paulo era muito flexível e determinado pelo material do assunto, em muitas de suas cartas, incluindo as Pastorais.

É com o vocabulário, contudo, que tantos críticos tem problemas quanto à autoria paulina. As estatísticas tem muitas falhas, mas são impressivas para um linguista. P.N. Harrison (The Problem of the Pastoral Epistles — O Problema das Epístolas Pastorais, 1921) tem a mais capaz apresentação do problema de vocabulário, de acordo com as estatísticas. Há 902 palavras no texto crítico das Pastorais. Destas, cinqüenta e quatro são nomes próprios. Das 848 restantes, 36% ou 306 não ocorrem em outras cartas paulinas. Cento e trinta e uma (destas 306) são encontradas em outros livros não-paulinos do Novo Testamento; mas, 175 não são encontradas alhures no Novo Testamento. Por outro lado, há 1.635 palavras nas outras cartas paulinas que não são encontradas nas Pastorais, 582 das quais não são encontradas alhures no Novo Testamen¬to. Alega-se que a porcentagem de vocabulário especial para as Pastorais é alta demais em comparação com outras cartas de Paulo, e esta diferença no vocabulário, portanto, impede uma autoria paulina. É interessante observar-se, todavia, que das 848 palavras encontradas somente nas Pastorais, 278 ocorrem somente em I Timóteo, 96 somente em Tito, e 185 em II Timóteo. Estas três cartas partilham somente 289 do vocabulário especial. Se estas cartas não fossem tomadas como um grupo, cada uma seria negada como sendo do mesmo autor, da mesma forma que, tomadas como um grupo, elas são rejeitadas como paulinas. Contudo, o mesmo estilo corre através das Pastorais, e todos os críticos concordam que o mesmo autor escreveu todas as três.

Foram feitas tentativas para mostrar que o vocabulário representa a Igreja do final do primeiro século ou início do segundo. Alega-se que o autor revela sua época através de seu vocabulário, e, como este é o vocabulário de Clemente e Inácio e outros escritores do segundo século, o autor reuniu estas cartas durante o segundo século. É mais provável ser verdadeiro que este autor influenciou Clemente, Inácio e os outros escritores, em seu vocabulário, do que ter sido influenciado por eles. É observado que os 87% dos hapax legomena (termo técnico para palavras que aparecem somente uma vez) nas Pastorais são encontrados nas obras de Filo, e 80% na Septuaginta (LXX). Dos 175 hapax legomena, apenas noventa e dois foram encon¬trados nos escritores patrísticos. Por outro lado, todos, exceto vinte e oito, são conhecidos como de outros escritores, antes de 50 d.C. Simplesmente não pode ser substanciado que o vocabulário especial das Pastorais não estava em uso durante a época de Paulo.

Várias proposições foram dadas para explicar estas peculiaridades do vocabulário. Sugere-se que o assunto afeta o vocabulário usado. Isto também pode ser dito da pessoa, ou pessoas, a quem a carta foi escrita. Depois, há a atmosfera de onde se escreve, o ficar mais idoso, a passagem do tempo. Há também o cabedal sempre crescente de vocabulário, à medida que uma pessoa de tal inteligência como Paulo encontra novos termos, ao viajar de lugar a lugar. Há também a ser considerado o trabalho de um amanuense e a liberdade dada a ele na transcrição da carta. Estas são todas sugestões válidas para explicar as peculiaridades, mas talvez a maior destas é o assunto. Num estudo estatístico das cartas de Paulo, foi observado, e facilmente confirmado, que a maior parte dos hapax legomena de cada carta ocorre nas seções éticas ou práticas. As palavras que são consideradas "palavras paulinas" encontram-se normalmente nas partes teológicas, geralmente a primeira parte da carta. O todo das Pastorais é ético e prático; muito pouco é teológico. Ao comparar-se as Pastorais com seções não-ateológicas das outras cartas de Paulo, pode-se observar que a porcentagem dos hapax legomena é quase a mesma para cada carta. Nessas cartas práticas de Paulo, as Pastorais, há várias citações ou quase citações, materiais pré formulados, sobre os quais o escritor tem pouco controle de vocabulário. Estes ditos, hinos, provér¬bios e confissões tradicionais teriam palavras que necessariamente não seriam parte do vocabulário normal do escritor. O estilo e vocabulário próprios do autor não podem ser julgados por esta espécie de conteúdo.

Embora haja uma diferença no vocabulário entre as Pastorais e as outras cartas de Paulo, esta diferença não obsta necessariamente uma autoria paulina. Diferenças até maiores ocorrem entre as obras de outros escritores, e, se for concluído em bases vocabulares que Paulo não poderia ter escrito as Pastorais, deve ser dito, nas mesmas bases, que Cícero não poderia ter sido o autor dos livros sobre oratória, assim como daqueles sobre filosofia, nem Shakespeare ter escrito as tragédias e as comédias, as quais o mundo reconhece como obras-primas suas.



3. A Teologia — A objeção à autoria paulina em bases doutrinárias pode ser resumida nas palavras de James Denny: "São Paulo era inspirado, mas o escritor destas epístolas é às vezes apenas ortodoxo" (The Death of Christ — A Morte de Cristo, 1911). Paulo é criativo e propõe grandes doutrinas e contende por elas, ao passo que este escritor urge seus leitores a se firmarem "na fé". Muita parte da posição doutrinária de Paulo não é encontrada nas Pastorais. A ausência de ênfases paulinas — tais como a paternidade de Deus, a filiação de Jesus Cristo e a pequena atenção dada ao Espírito Santo — certamente deve indicar um escritor que não Paulo. O significado místico de "em Cristo", alega-se, e a antítese entre a lei e a fé, não são encontrados. A palavra "Salvador", usada tanto para Deus como para Jesus, não é tipicamente paulina, bem como o uso dos termos "fé", para simbolizar o conteúdo da crença cristã. Diz-se que toda esta diferença doutrinária só pode significar que Paulo não foi o autor das Pastorais. Há também o uso extensivo da palavra "piedade" (eusébia) nas Pastorais, que não se vê nas outras cartas de Paulo.

Mesmo os mais críticos dos que negam a autenticidade das Pastorais dificilmente negariam a base paulina da teologia nelas encontrada. Hans Windisch, há muito tempo atrás (Zur Christologie der Pastoral-briefe — À Cristologia das Cartas Pastorais, 1935), observou que a teologia das Pastorais não é pós-paulina, e, sim, pré-paulina. Deve ser observado que a maior parte das idéias doutrinárias é encontrada nas seções citadas. Paulo não estava escrevendo teologia; ele estava dando conselho prático. Paulo era um teólogo criativo (quando a ocasião o exigia), mas era primeiramente um apóstolo, e a necessidade de conservar o ensino apostólico era mais importante que a criatividade e a inovação. O meio mais eficaz para a conservação e propagação da mensagem cristã era através de declarações pré-formuladas: "sã doutrina" (I Tm. 1:10; II Tm. 4:3; Tt 1:9); "verdade" (I Tm. 2:4; II Tm. 4:4; Tito 1:1); "depósito" (I Tm. 6:20; II Tm. 2:23; Tito 1:3); "fé" (I Tim. 4:1; II Tim. 3:8; Tito 1:13). Igualmente, o uso destas declarações pré-formuladas teria sido muito mais provável em cartas dirigidas a associados íntimos do que a comunidades mistas (ver I Tm. 3:16). O ministério, tanto de Timóteo quanto de Tito, era assegurar a continuação da doutrina apostólica. A natureza conservadora do escritor das Pastorais encontra-se em acen¬tuado contraste com a teologia "progressiva" e "criativa" de alguns dos escritores do segundo século, e mesmo daqueles a quem Paulo admoesta Timóteo e Tito a resistirem. Paulo estava exortando seus colegas mais jovens a promoverem somente aquilo que haviam recebido para satisfazer aos problemas que encontravam em suas respectivas igrejas.



4. A Eclesiologia — Uma vez que as Pastorais falam de bispos, anciãos e diáconos, presume-se que isto reflete uma data muito posterior, quando um alto grau de organização eclesiástica já se havia desenvolvido. Esta presunção é uma conseqüência da teoria (de F.C. Baur) de que Paulo não tinha interesse na estrutura organizacional da igreja. Há, contudo, evidência, em Atos, de que Paulo estava muito interessado na ordem na igreja. Atos 14:23 é explícito acerca deste interesse, ao mostrar a designação dos "anciãos" (presbúteroi). Este ofício foi moldado na forma dos líderes da sinagoga, onde os anciãos tinham o cuidado e a respon¬sabilidade do trabalho e do culto. Atos 20:17 mostra Paulo mandando chamar os anciãos da igreja em Éfeso. Aparentemente, Paulo havia participado na escolha deles, para o ofício, antes de partir de Éfeso para a Macedônia e Corinto. Em I Tessalonicenses 5:12, as palavras "os que presidem sobre vós" poderiam referir-se a algum tipo de estrutura organi¬zacional daquela época primitiva.

A amplitude da organização nas Pastorais pode ser facilmente exage¬rada. A menção de "bispos" e "diáconos" é encontrada em Filipenses 1:1, e Paulo se refere aos anciãos de Éfeso (At. 20:17) como "bispos" (epískopoi) em Atos 20:28. O termo presbúteros é usado nas Pastorais de maneira não-técnica ("homens mais idosos" em I Tm. 5:1,17,19), bem como no sentido técnico (Tt 1:5). O bispo monárquico do segundo século não é retratado nas Pastorais. O ministério do "bispo", nas Pastorais, não é essencialmente diferente do dos outros escritos neotes¬tamentários. É infundada a afirmação de que Timóteo e Tito, porque tem o poder de designar anciãos (I Tim. 5:19; Tito 1:5) e exercer controle sobre a igreja, são o tipo de bispos do segundo século. Eles são representantes pessoais de um apóstolo deixado para trás, para completar a obra que Paulo havia iniciado. A escolha de pessoas para os ofícios é ainda o ministério do profeta (I Tm. 4:14), conforme visto antes em Atos 13:2. A imposição das mãos na ordenação (I Tm. 4:14; 5:22; II Tm. 1:6) está relacionada à tarefa da missão (At. 13:3; 14:23). Um dos resultados da descoberta dos Rolos do Mar Morto é a revelação de que a co¬munidade essênia escolhia "supervisores" (epíscopoi) para realizar quase o mesmo trabalho dos da igreja cristã e das sinagogas judaicas espalhadas através do mundo daqueles dias. E esta era a prática muito antes de 70 d.C.

Deve-se concluir que a evidência nas Pastorais não exibe uma ecle¬siologia avançada. Lá está revelada a preocupação de Paulo de que o trabalho da igreja deverá ser realizado de maneira ordenada.

5. Os Ensinos Heréticos. As Objeções à autoria paulina, nestas bases, recebem menos importância, da parte dos críticos antipaulinos modernos, do que dos mais antigos. Este é outro resultado da descoberta e edição dos Documentos do Mar Morto. Reconhece-se, agora, que a heresia das Pas¬torais não pode ser o gnosticismo desenvolvido do segundo século ou o marcionismo. A citação de Policarpo, de I Timóteo, obstaria a polêmica anti-Marcião como sendo um propósito deste autor. O gnosticismo do segundo século simplesmente não está presente nestas cartas. Os falsos ensinos têm uma natureza judaica muito decidida, e, no máximo, seria um judaísmo gnosticizado, em oposição ao trabalho dos missionários cristãos entre os gentios. Reconhece-se que a heresia não pode ser muito diferente da de Colossenses, embora a ênfase, nas Pastorais, pareça ser mais estritamente judaica. Há brechas causadas por argumento intermi¬nável da lei (Tito 3:9; cf. I Tm. 6:4; II Tm. 2:14-23) e genealogias (I Tm. 1:4). Os ensinos incluíam domínios, proibição de certos alimentos e do casamento (I Tim. 4:1-3) e a crença de que a ressurreição já era passada (II Tim. 2:18). Isto tudo tem paralelos no judaísmo pré-cristão. A base gnóstica para a negação da ressurreição não é encontrada aqui; a interpretação de II Tm. 2:18 é mais provavelmente uma observação da fórmula batismal paulina (Rm. 6:4; Col. 2:12; 3:1-4). A estrutura gnóstica de uma cristologia docética não está presente em nenhuma parte nas Pastorais. Mais e mais, à medida que são feitas novas descobertas de documentos escritos por volta da época do início da era cristã, está sendo reconhecido que as raízes da heresia gnóstica remontam ao século pré-cristão. O gnosticismo é uma amalgamação de muitas crenças, incluindo idéias do judaísmo. O primeiro século foi uma época de solidificação daquilo que se tornou uma doutrina definida pelo fim do primeiro século e metade do segundo. As Pastorais refletem ensinos judaicos que até certo ponto se tornaram helenizados. Que os ensinos estavam em oposição à missão aos gentios está prontamente óbvio através das Pastorais; que elas são mais que judaísmo helenizado não pode ser sustentado. A heresia mostrada nestas cartas é quase aquela com que Paulo se confrontava sempre que entrava em contato com oposição liberada por judeus helenizados da diáspora.



Conclusão — Foi mostrado que a autoria paulina não deve ser rejeitada por causa de problemas externos ou internos. Os argumentos para refutar a autenticidade estão longe de serem conclusivos. São suficientemente atrativos para assegurar que muitos eruditos críticos continuarão a propô-los de uma forma ou outra. Mesmo a conclusão, feita por alguns, de que as Pastorais contem porções de materiais paulinos autênticos, assimilados e expandidos por um paulinista do final do primeiro século ou princípio do segundo (i.e., II Tm. 1:16-18; 3:10,11; 4:1,2, 5-22; Tt 3:12-15) não pode ser substanciada. É interessante observar que, sempre que são encontrados materiais favoráveis à autoria paulina, estas passa¬gens são ditas serem fragmentos de outros documentos conhecidos ou perdidos; que os outros materiais são da mão de um compilador! Mas há coisa demais que um paulinista deixa fora, que seria de muita ajuda durante a época das perseguições e disputa sobre doutrina, e ele certamente teria tido o cuidado de mencionar a viagem à Espanha depois da saída da prisão. Contudo, o maior argumento contra a autoria de um paulinista é o cuidado que a igreja primitiva teve em selecionar seus documentos. Ela estava preocupada com a verdade histórica, e estas cartas afirmam que elas foram escritas por Paulo. A história da igreja, nos primeiros séculos, mostra a natureza exigente da igreja para com a verdade. Escrever em nome de outro é algo que a igreja não poderia e não iria tolerar. O oficial da igreja romana que escreveu "Os Atos de Paulo" no nome de Paulo não somente foi removido do ofício, mas também excluído da igreja! Tal era a importância que a igreja dava à veracidade acerca do testemunho apostólico, segundo Tertuliano.

É afirmado neste livro que o estudante do Novo Testamento não deve ter nenhuma hesitação em crer no versículo introdutório de cada uma destas três cartas que têm o nome "Paulo" como o autor. Paulo escreveu estas cartas, e elas podem ser usadas com confiança, como sustentando a verdade.





ÉPOCA E LOCAL



Os movimentos de Paulo e de seus amigos, após a saída do encarce¬ramento romano de Atos 28, são difíceis de se precisar. O melhor é usar a informação disponível e tentar reconstruir o itinerário mais simples. As palavras de Clemente de Roma, em 95 d.C, devem ser tomadas seriamente acerca de Paulo ter trabalhado na Espanha. Isto foi escrito cedo demais, após a morte de Paulo (dentro de trinta anos), para ter sido informação falsa e a igreja não contestá-la. Seja quanto tempo for que Paulo tenha trabalhado na Espanha, crê-se que não se trata de um trabalho permanente. A exigüidade da informação dada por Clemente é entendida pelo contexto da carta que ele escreveu; ele estava escrevendo acerca das mortes de Paulo e Pedro em Roma, não acerca de seus ministérios como tais.

A informação contida nas Pastorais é esboçada e as tentativas de se fazer um itinerário preciso são fadadas ao fracasso. O que se sabe das Pastorais pode ser declarado: Paulo esteve em Creta, Éfeso, Trôade, Macedônia, Mileto, Corinto e Roma. O tempo envolvido seria de 60-61 d.C. até uma data desconhecida, após o incêndio de Roma, em 19 de julho de 64 d.C. Se Paulo foi à Espanha e não retornou em seus passos, a simples viagem seguinte poderia ser traçada geograficamente para se conformar ao material contido nas Pastorais. De Roma até a Espanha seria a primeira etapa. De lá, Paulo teria ido a Creta, onde trabalhou por um período de tempo indeterminado. Deixando Tito (Tt 1:5), Paulo foi para Éfeso. É possível que durante esse tempo ele tenha feito uma visita às igrejas no vale do Lico (Fm. 22). Deixando Timóteo em Éfeso (I Tm. 1:3), Paulo foi à Macedônia (provavelmente a Filipos). Enquanto esteve lá, escreveu I Timóteo e talvez Tito, embora seja mais provável que as tenha escrito de Corinto. Ele então teria ido a Trôade, deixando uma capa e alguns livros na casa de Carpo (II Tm. 4:13), para ir a Éfeso e Mileto, onde Trófimo adoeceu e ficou para trás (II Tm. 4:20), e depois para Corinto. Pensa-se que Paulo pode ter escrito a Tito durante essa época, pois planejava ir a Nicópolis para o inverno (Tt 3:12), mas não é certo se o fez. Quando ele deixou Corinto, Erasto ficou para trás (II Tm. 4:20).

Em algum lugar Paulo foi preso, depois que a perseguição aos cristãos, conduzida por Nero, começou. Nero, para transferir a atenção de sua própria culpa no incêndio de Roma, culpou os cristãos. A perseguição, que imediatamente se iniciou, foi intensa, e Paulo foi arrastado nela. A prisão pode ter acontecido em Éfeso, explicando, desta forma, a origem da tradição acerca das ruínas de uma torre lá chamada "Prisão de Paulo". A prisão poderia ter ocorrido em Corinto. Ambas estas cidades eram bem zelosas em sua lealdade para com o culto ao imperador, cada uma tendo um templo e sacerdotes para promover a veneração ao imperador. Depois de sua prisão, Paulo teria apelado para Roma, com base no fato de ser um cidadão romano, e teria asseverado seu direito de ser ouvido em Roma. Chegando a Roma, Paulo tinha já tido sua primeira audiência perante o tribunal (II Tm. 4:11,16,21) e esperava ser condenado na segunda (II Tm. 4:6). Durante esse intervalo Paulo escreveu II Timóteo. O inverno mencionado em Tt 3:12 possivelmente seria o inverno de II Timóteo 4:21. Se assim for, é improvável que Paulo tenha ido a Nicópolis, como planejara. Se não é o mesmo inverno, a razão para enviar Tito à Dalmácia (II Tm. 4:10) estaria esclarecida. Uma tradição antiga afirma que Paulo morreu no ano do incêndio de Roma. Isto poderia significar, e provavel¬mente significa que ocorreu dentro do espaço de um ano. A tradição também afirma que Paulo foi decapitado fora de Roma, na Via Óstia, em 29 de junho. Isto mais provavelmente teria ocorrido no ano de 65 d.C.













PRIMEIRA EPÍSTOLA DO APÓSTOLO

PAULO A TIMÓTEO



OCASIÃO E PROPÓSITO



Paulo havia deixado Timóteo em Éfeso (1:3), para cuidar do cresci¬mento organizacional da igreja e refutar os falsos mestres. De Atos 20:17,28 fica-se sabendo que a igreja tinha já "anciãos", também chamados "supervisores" ou "bispos"; assim, a instituição da organiza¬ção não seria algo novo nem a Timóteo nem à igreja. I Timóteo 3:13-15 indica que Paulo esperava retornar logo, mas, para o caso de demorar, ele escreveu esta carta não somente para dar instruções escritas acerca de como se proceder com a administração da igreja e como refutar-se os falsos ensinos. Ele também escreveu para encorajar Timóteo e desafiá-lo a tomar o controle firme em defesa da sã doutrina.



ESTRUTURA E CONTEÚDO



Esta Primeira Epístola a Timóteo pode facilmente ser dividida em três partes: 1) A necessidade de promover a sã doutrina, à luz do erro e da heresia (1:3-20); 2) a maneira ordenada para a adoração pública, através da organização (2:1-3:16); 3) o exemplo do ministro perante toda a igreja (4:1-6:19). Após a saudação (1:1,2), Timóteo é encorajado por Paulo a lembrar-se dos distintivos da sã doutrina e a reconhecer e combater idéias errôneas (1:3-11), mostrando suas próprias experiências com o evangelho (1:12-17) e a responsabilidade que foi deixada para Timóteo cumprir (1:18-20). Paulo então escreve acerca da importância da adoração pública através da oração (2:1-7), do comportamento correto durante o culto (2:8-15) e da direção de um líder qualificado moral e espiritualmente (3:1-13). A seção é concluída com a razão para Paulo escrever esta carta (3:14-16). A vida cristã real deve ser demonstrada pelo ministro, em face da heresia (4:1-5), através de instruções corretas à igreja (4:6-16). Os deveres do ministro, ao trabalhar com vários grupos sociais, são esboçados (5:1-6:2). Várias exortações (6:3-19) são seguidas de um apelo final pela sã doutrina (6:20-21), e uma bênção (6:21).



ESBOÇO



Introdução (1.1-20)

I. Instrução a respeito do Ministério Eclesiástico (2.1---4.5)

A. A Proeminência da Oração (2.1-8)

B. A Conduta apropriada das Mulheres (2.9-15)

C. Qualificações do Pastor (3.1-7)

1. Pessoais

a. Irrepreensível 3.2

b. Vigilante 3.2

c. Sóbrio 3.2

d. Honesto 3.2

e. Hospitaleiro 3.2

f. Apto para ensinar 3.2

g. Não dado ao vinho 3.3

h. Não espancador 3.3

i. Moderado 3.3

j. Não contencioso 3.3

k. Não ambicioso por dinheiro 3.3

l. Não novato na fé 3.6

m. Boa reputação fora da igreja 3.7

2. Família

a. Marido de uma mulher 3.2

b. Que governe bem sua própria casa 3.4,5

c. Que tenha filhos obedientes e respeitosos 3.4

D. Qualificações de Diáconos (3.8-13)

1. Pessoais

a. Digno de respeito 3.8

b. Sincero 3.8

c. Não dado ao vinho 3.8

d. Livre de torpe ganância 3.8

e. Guarda o ministério da fé com consciência pura 3.9

f. Provado e irrepreensível 3.10

2. Família

a. Marido de uma mulher 3.12

b. Mulher piedosa e fidedigna 3.11

c. Governa bem os filhos e a casa 3.12

E. Razões da igreja exigir de seus dirigentes Altas Qualificações (3.14---4.5)

II. Instruções a respeito do Ministério de Timóteo (4.6---6.19)

A. Sua vida pessoal (4.6-16)

B. Seu tratamento com os Membros da Igreja (5.1---6.19)

1. Homens idosos e jovens 5.1

2. Mulheres idosas e jovens 5.2

3. Viúvas 5.3-16

4. Presbíteros e Candidatos ao Presbiterato 5.17-25

5. Servos 6.1,2

6. Falsos Mestres 6.3-10

Parêntese: Exortação ao próprio Timóteo

7. Os ricos 6.17-19

Conclusão (6.20,21)



Autor: Paulo

Tema: A Sã Doutrina e a Piedade

Data: Cerca de 65 d.C.



SEGUNDA EPÍSTOLA DO APÓSTOLO

PAULO A TIMÓTEO



OCASIÃO E PROPÓSITO



Na primeira Carta a Timóteo, Paulo expressou um temor de que pudesse ser retardado ao retornar a Éfeso Agora ele é um prisioneiro em Roma. Ele já havia estado perante o tribunal uma vez, e a maioria de seus amigos o havia deixado (1:15-17; 4; 10,11,16). Paulo previa o pior (4:6,18). Nessa hora negra, ele anseia por ver Timóteo (4:9) e tê-lo consigo (4:11). Paulo escreve para fazê-lo saber qual é a situação e para pedir-lhe que vá a Roma. Temeroso de que Timóteo não chegue a Tempo, Paulo se concentra na tarefa que está deixando para Timóteo executar. Ele também aproveita a ocasião para advertir contra falsos ensinos. Pode ser que Tíquico leve a carta a Éfeso (4:12). Essa carta mostra a ansiedade de Paulo, mas também mostra coragem numa circunstância difícil. É um documento muito comovente, pois Paulo é visto enfrentando a morte, relembrando seu ministério passado, e com terna preocupação com seu filho na fé para que seja forte na obra para a qual Deus o chamou.



ESTRUTURA E CONTEÚDO



É mais difícil dividir II Timóteo que I Timóteo. Esta é uma carta verdadeira, e Paulo não dá um tratamento sistemático a seus pensamen¬tos. A escrita é num estado de espírito natural de amigo para amigo, e Paulo se movimenta para frente e para trás, entre as idéias. Após a saudação (1:1,2) e ação de graças (1:3-5), há um desafio à vida corajosa, como um ministro chamado por Deus (1:6,7), que tem Jesus (1:8-10) e o próprio Paulo como exemplos de fidelidade (1:11-14). Paulo então dá notícia acerca de alguns companheiros (1:15-18). Segue-se a exortação à paciência no sofrimento (2:1-13) e pela conduta pessoal (2:14-26). Paulo exorta Timóteo a preparar-se para a crise vindoura (3:1-17) e à firmeza na pregação e cumprimento de seu ministério (4:1-5). Paulo calmamente escreve acerca de suas expectativas (4:6-8) e depois dá a Timóteo algumas instruções pessoais (4:9-18). A carta conclui com saudações e uma bênção (4:19-22).



ESBOÇO



Introdução (1.1-4)

I. Paulo exorta Timóteo (1.5-18)

A. Despertar o Dom de Deus 1.5-7

B. Estar disposto a sofrer pelo Evangelho 1.8-10

C. O exemplo de Paulo 1.11,12

D. Obedecer e defender a Verdade 1.13,14

E. Amigos desleais e leais, de Paulo, em Roma 1.15-18

II. Requisitos do Obreiro Fiel (2.1-26)

A. Ser forte na Graça de Deus 2.1

B. Confiar o Evangelho a Homens Fiéis 2.2

C. Suportar sofrimentos 2.3-7

1. Como bom Soldado 2.3,4

2. Como Atleta disciplinado 2.5

3. Como Agricultor laborioso 2.6,7

D. Morrer com Jesus Cristo e Sofrer com Ele 2.8-13

E. Evitar discussões inúteis e defender o evangelho de modo cabal 2.14-26

III. A Iminência do surto final da maldade (3.1-9)

IV. Perseverança na Verdade (3.10-17)

A. Testemunho de Despedida de Paulo 4.6-8

B. Instrução pessoal a Timóteo 4.9-13

C. Advertência a Timóteo 4.14,15

D. A certeza da Fidelidade de Deus 4.16-18

Conclusão (4.19-22)



Autor: Paulo

Tema: Perseverança Inabalável na Fé

Data: Cerca de 67 d.C.







EPÍSTOLA DO APÓSTOLO PAULO A TITO



O propósito imediato da carta é pedir a Tito para encontrar-se com Paulo em Nicópolis (3:12). Um propósito secundário é encorajar Tito a cumprir a tarefa que Paulo deixou para ele realizar na ilha de Creta (1:5,6). A carta provavelmente foi levada por Zenas e Apolo (3:13), para quem Tito é instruído a fazer provisão e ajudá-los a se estabelecerem em seu ministério. Com estes propósitos básicos, Paulo usa a ocasião para escrever acerca de questões concernentes à igreja: a escolha de líderes, a identificação de falsos ensinos e como proceder com eles, e a necessidade de doutrinamento da igreja com sãos ensinamentos.



ESTRUTURA E CONTEÚDO



Esta carta também se divide facilmente em três partes. A primeira tem a ver com a designação dos líderes da igreja (1:5-16); a segunda com como aconselhar e trabalhar com diversos grupos sociais (2:1-15); e a terceira é composta de exortações gerais (3:1-11). Após a saudação (1:1-4), Paulo expressa a razão por que ele deixara Tito em Creta (1:5,6) e como Tito deveria proceder na escolha de pessoas para a liderança na igreja (1:7-9). Tito é advertido acerca dos falsos mestres e da necessidade de refutá-los (1:10-16). A norma para a conduta cristã normal é observada para diferentes grupos de pessoas (2:1-10), e enfocam-se as obrigações e privilégios de um cristão numa sociedade (2:11-15). Exortações acerca de males especiais na comunidade (3:1-3) são acompanhadas pela base para um ministro realizar o que é bom (3:4-8). Após algumas admoestações finais acerca dos falsos ensinos (3:9-11), são dadas instruções pessoais (3:12-14). A carta encerra com saudações finais e uma bênção (3:15).



ESBOÇO



Introdução (1.1-4)

I. Instruções sobre o estabelecimento de Presbíteros (1.5-9)

A. Presbíteros em cada cidade 1.5

B. Qualificações para Presbíteros

1. Pessoais

a. Irrepreensíveis 1.6

b. Despenseiro fidedigno 1.7

c. Não soberbo 1.7

d. Não iracundo 1.7

e. Não dado ao vinho 1.7

f. Não espancador 1.7

g. Não cobiçoso 1.7

h. Hospitaleiro 1.8

i. Amigo do bem 1.8

j. Sensato 1.8

k. Justo 1.8

l. Santo e moderado 1.8

m. Retendo firme a fiel palavra 1.9

n. Capaz de exortar com a Palavra 1.9

o. Capaz de refutar os contradizentes com a Palavra 1.9

2. Familiares

a. Marido de uma só mulher 1.6

b. Filhos crentes 1.6

c. Que seus filhos não sejam dissolutos nem rebeldes 1.6

II. Instruções a Respeito dos falsos Mestres (1.10-16)

A. Seu caráter 1.10

B. Sua conduta 1.11,12

C. Sua repreensão 1.13-16

III. Instruções a Respeito dos Grupos de Crentes na Igreja (2.1-15)

A. O alcance da Instrução 2.1-10

B. O fundamento da Instrução 2.11-14

C. A responsabilidade de Tito 2.15

IV. Exortação às boas obras (3.1-11)

A. Nossa conduta ante o próximo 3.1,2

B. A misericórdia de Deus para Conosco 3.3-7

C. Discernindo entre o bem e o mal 3.8-11

Conclusão (3.12-15)



Autor: Paulo

Tema: A Sã Doutrina e as Boas Novas

Data: Cerca de 65/66 d.C.



Por André Rodrigues





BIBLIOGRAFIA



• Introdução ao estudo do Novo Testamento. Hale, Broadus David. Tradução de

Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro, Junta de Educação

Religiosa e Publicações, JUERP-RJ 1983.



• O Novo Comentário da Bíblia. Editado e organizado pelo Prof. F. Davidson, MA, DD.

Colaboradores Rev. A. M. Stibbs, MA, DD Rev. E. F. Kevan, MTh. Editado em português pelo Rev. Dr. Russell P. Shedd, MA, BD, PhD. Edições Vida Nova-SP



• Bíblia de Estudo Pentecostal. Antigo e Novo Testamento, Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Edição Revista e Corrigida, Ed.1995, Edições CPAD-RJ 2002.

OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues

OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues: OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues: OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues: Concílio [Do lat. conciliu.] Sm.



Reunião de toda uma Igreja cristã, pela convocação de uma representação determinada, para definir e deliberar sobre pontos atinentes à missão que lhe é própria. (Dicionário Aurélio/Eletrônico)







Ecumênico [Do gr. oikoumenikós, pelo lat. oecumenicu.] Adj.







1.Relativo a toda a Terra habitada; universal.



2.Relativo ao ecumenismo.



3.Rel. Diz-se do crente que manifesta disposição à convivência e diálogo com outras confissões religiosas.















Os Concílios Ecumênicos ou “Assembléias Universais”, eram convocados por ingerência do Estado, visando a unidade da Igreja. Com o fortalecimento da Sé Romana, porém, tais reuniões passaram a ser convocadas única e exclusivamente pelo papa. Estes Concílios são em número de sete: O de Nicéia em 325, Constantinopla em 381, Éfeso em 431, Calcedônia em 451, Constantinopla II em 553, Constantinopla III que teve duração de quase um ano, 680 a 681 e Nicéia II em 787. Diversas foram as resoluções nestes Concílios e passaremos a apresentar em resumo algumas das principais em cada um deles, bem como a síntese de suas histórias.







Nicéia – (De 20/05 a 25/07 de 325) Em outubro de 312, um general do exército romano, chamado Constantino, atacou Roma para depor Maxêncio, o homem que alegava ser o imperador, e tomar o trono do império. Constantino foi o general-comandante nas legiões romanas na Bretanha e na Europa ao norte dos Alpes durante vários anos e acreditava ter mais direito de ser imperador do que qualquer de seus rivais. Provavelmente, tinha bons conhecimentos do cristianismo, mas não existem provas de sua conversão a fé, nem mesmo de uma forte simpatia por ela antes de sitiar Roma em 312. Segundo seu biógrafo, o bispo cristão Euzébio, Constantino fez um apelo a qualquer deus que pudesse ajudá-lo a derrotar seu rival e teve a visão de um símbolo cristão com as palavras “Sob este símbolo vencerás”. Segundo se declara entrou na batalha no dia seguinte com o símbolo de Cristo exibido em suas bandeiras e escudos de guerra e seu inimigo Maxêncio foi jogado na Ponte Mívia na periferia de Roma, no rio Pó onde se afogou. Euzébio, que considerava Constantino um grande herói, comparou Maxêncio com faraó e Constantino com Moisés e declarou que a vitória foi uma intervenção divina.



Depois de se tornar imperador, Constantino promulgou o “Edito de Milão”, que declarou oficialmente a tolerância imperial do cristianismo (313). A partir de então, promulgou uma série de editos que restauravam aos cristãos os seus bens, e paulatinamente, começou a favorecer os cristãos e o cristianismo mais do que as demais religiões. Constantino nunca chegou a fazer a religião oficial do império e permaneceu o pontifex maximus, ou sumo sacerdote, da religião pagã oficial do império, até ser batizado pouco antes de sua morte em 337.



Durante todo o seu reinado, o relacionamento entre Constantino e os líderes cristãos foi tempestuoso. Chegou a se considerar o “bispo de todos os bispos” e o “ décimo terceiro apóstolo” embora fosse pagão e recusasse o batismo até chegar praticamente no leito de morte. Aparentemente, a unificação da igreja foi uma de suas obsessões e o domínio da liderança eclesiástica, o meio de atingir o seu objetivo. As igrejas cristãs do império estavam seriamente divididas na ocasião de sua ascensão e Constantino queria usar o cristianismo como uma “cola” para reunificar o império. Para tanto precisava extirpar os cismas, as heresias e as dissensões onde quer que estivessem. Na ocasião de sua morte, Constantino não havia resolvido totalmente esse assunto e muitos historiadores eclesiásticos argumentam que na realidade, ele apoiava tanto as heresias como a ortodoxia.



No reinado de Constantino aconteceram vários eventos importantes para o cristianismo e para a teologia . Em primeiro lugar, conforme já foi observado, a perseguição oficial dissipou-se e ser cristão, pelo menos de nome, passou a ser popular e prudente. Hordas de pagãos não convertidos entraram como uma inundação para as igrejas cristãs simplesmente para ganhar posição aos olhos da corte imperial e da burocracia dirigida por Constantino.



Em segundo lugar, saiu de Roma e edificou uma “Nova Roma” no Oriente como a nova capital imperial. Escolheu a cidade de Bizâncio (atual Istambul, na Turquia) e deu-lhe um novo nome em homenagem a si mesmo: Constantinopla.



Em terceiro lugar, o cisma mais divisor que a igreja já havia experimentado ocorreu no reinado de Constantino. Começou em Alexandria e se propagou por todo o império, causando maior impacto na metade que falava grego. Ficou conhecido por controvérsia ariana (Arianismo- Heresia fermentada por um Presbítero do 4° século chamado Ário. Negando a divindade de Cristo, ensinava ele ser Jesus o mais elevado dos seres criados. Todavia, não era Deus. Por este motivo seria impropriedade referir-se a Cristo como se fora um ente divino. Para fundamentar seus devaneios doutrinários, buscava desvalorizar o evangelho de João por ser o propósito desta Escritura, justamente, mostrar que Jesus Cristo era, de fato, o filho de Deus.) e passou por várias etapas durante quase todo o século.



Em quarto lugar, a igreja celebrou seu primeiro concílio ecumênico (universal) afim de dirimir conflitos doutrinários e eclesiásticos: O Concílio de Nicéia em 325. Foi Constantino quem o convocou e o presidiu. A doutrina formal e oficial ortodoxa da Trindade foi elaborada, em meio as fortes críticas, e expressa no credo normalmente conhecido Credo de Nicéia, mas oficialmente chamado Credo niceno-constantinopolitano (por ser sua versão definitiva concluída no Concílio de Constantinopla em 381). Acabou se tornando a declaração universal de fé da cristandade e assim permanece para a maior parte dos ramos do cristianismo.



Para entendermos a relevância do Concílio de Nicéia, é preciso fazer uma pausa e relembrar a situação em que a igreja se encontrava pouco antes de 325. Bispos e outros cristãos líderes foram perseguidos com ferocidade, e por vezes, executados pelas autoridades romanas. Os templos das igrejas foram confiscados e transformados em templos de deuses e deusas ou locais de adoração ao imperador. A igreja cristã era em geral, considerada uma seita religiosa estranha e uma ameaça em potencial ao império por está cheia de subversivos que se recusavam a honrar o imperador venerando seu “gênio”. De repente, tudo mudou. O mundo parece simplesmente virar de cabeça para baixo. Agora, um imperador romano, um dos mais fortes que já havia aparecido depois de muitos anos, ordenava que todos os bispos cristãos comparecessem para deliberar em uma reunião que ele presidiria.



Alguns cristãos perceberam a ameaça inerente da prepotência imperial no lugar da perseguição imperial. A maioria, não. O imperador convocou os bispos, e prometeu que pagaria as despesas e forneceria proteção. A maioria dos bispos do Oriente compareceu. As condições impróprias para a viagem e as dificuldades com o idioma impediram o comparecimento de muitos bispos do Ocidente. Mesmo assim, os ramos Oriental e Ocidental do cristianismo – Ortodoxo e Católico – vieram a reconhecer esta reunião em Nicéia em 325 como o primeiro concílio ecumênico da igreja. Outros se seguiriam, mas nenhum seria tão importante.



Trezentos e dezoito bispos estavam presentes nas cerimônias de abertura. Infelizmente , não sobreviveram registros contemporâneos das sessões do concílio em si. O concílio durou dois meses e tratou de muitas questões que confrontavam a igreja. Aproximadamente vinte “cânones” ou decretos distintos foram promulgados pelo imperador e pelos bispos a respeito de assuntos que variam desde a deposição de bispos relapso até a ordenação de eunucos. O concílio ofereceu oportunidade de muitas dúvidas que atormentavam as igrejas, inclusive a maneira exata de fixar a data da páscoa e a situação de bispos que se mudavam de uma sé para outra. Todos estes assuntos, no entanto, eram de importância secundária à razão principal do concílio. O imperador conclamara o concílio para dirimir a controvérsia ariana e era a respeito dela que os bispos queriam falar.



Dos 318 bispos que estavam presente na abertura do concílio, somente 28 eram declaradamente arianos desde o início. O próprio Ário não teve permissão para participar do concílio por não ser bispo. Foi representado por Euzébio de Nicomédia e Teogno de Nicéia.







Principais Decisões:



A confissão de fé contra Ário: Igualdade de natureza do Filho com o Pai. Jesus é “Deus de Deus, Luz da Luz, deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.



Fixação da data da Páscoa a ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera (Hemisfério Norte)



Estabelecimento da ordem de dignidade dos Patriarcados: Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.



Inicialização do Credo.











Constantinopla – (Maio a Junho de 381) Quando Alexandre, bispo de Alexandria,. Foi ao Concílio de Nicéia para defender a causa trinitária contra Ário e os seus seguidores, levou consigo um jovem assistente chamado Atanásio, que tinha apenas vinte e poucos anos, mas prometia muito como teólogo. É improvável que Atanásio tenha desempenhado qualquer papel relevante no concílio, mas posteriormente foi preparado por Alexandre para ser seu herdeiro na liderança da sé de Alexandria. Quando Alexandre morreu em 328, Atanásio, com trinta anos, sucedeu-lhe neste estratégico cargo eclesiástico.



Atanásio atuou como arcebispo e patriarca de Alexandria durante 45 anos, até sua morte em 373. Passou um terço deste período em exílio forçado, por causa da defesa resoluta da terminologia essencial do Credo de Nicéia diante da oposição imperial. Gonzales expressa o consenso da maioria dos teólogos cristãos ao dizer: “Atanásio foi, sem dúvida alguma, o bispo mais notável que chegou a ocupar a antiga sé de Alexandria e (...) foi também o maior teólogo de seu tempo”. No seu século e durante toda a sua vida, Atanásio foi extremamente controverso.



Muitos bispos e imperadores consideravam-no um controversista inflexível que se recusava a ceder teologicamente em prol da unidade eclesiástica. Entre os anos de 325 e 332, exatamente quando Atanásio estava assumindo seus deveres como bispo de Alexandria, o imperador Constantino começou a mudar de partido no assunto (Arianismo), sob pressão de bispos e conselheiros que secretamente simpatizavam com Ário e dos bispos que o apoiaram e foram depostos e exilados. Estes simpatizantes do arianismo conseguiram conquistar a confiança do imperador e este começou paulatinamente a pensar em mudar o credo e até mesmo a restaurar Ário e os bispos de Nicomédia e Nicéia.



Em 332, Constantino declarou Ário restaurado como presbítero em Alexandria e ordenou que o novo bispo o aceitasse de voltas a comunhão da igreja naquele local. Atanásio recusou-se a não ser que Ário afirmasse homoousios ([Do gr. homo, mesmo + ousia, substância] Termo que começou a ganhar importância a partir do Concílio de Nicéia em 325. Em meio aos debates cristológicos, serviu para mostrar que o Filho tem a mesma substância do Pai, o mesmo acontece com o Espírito Santo em relação as duas primeiras pessoas da Santíssima Trindade.), como descrição do relacionamento entre o Pai e o Filho. Ário não quis. Atanásio rejeitou-o e desconsiderou as exortações e ameaças do imperador. Como resultado, Constantino exilou Atanásio para o posto avançado mais afastado do Império Romano no Ocidente: a cidade alemã de Tréveris. Seu exílio começou em novembro de 335 e durou até a morte de Constantino em 337. Durante este período de ausência de sua sé, no entanto, Atanásio permaneceu como o único bispo reconhecido de Alexandria. Os bispos do Egito, os presbíteros e o povo de Alexandria recusaram-se a substituí-lo e Atanásio continuou sendo o bispo amado deles, mesmo no exílio.



Logo após a morte de Constantino, seu filho Constâncio, sucessor no império, permitiu que Atanásio retornasse a sua sé em Alexandria. Porém, sua restauração não seria permanente.



O imperador queria paz e a uniformidade era o caminho para ela. Chegou a achar que o termo homoousios, ironicamente, sugerido e imposto por seu pai, Constantino, deveria ser substituído no Credo de Nicéia pó homoioussios, que significa “de substância semelhante” e era aceitável para os semi-arianos (buscando uma posição intermediária, os semi-arianistas diziam que Cristo é na verdade semelhante ao Pai, mas não compartilha a substância do Pai) e até mesmo para muitos trinitários. A nova terminologia teria tornado ortodoxa, se aceita, a crença de que o Pai e o Filho compartilham de “substância semelhante” ou de “existência semelhante” em vez de se crer que são da mesma substância ou existência.



Atanásio resistiu com teimosia à mudança e até mesmo a condenou como heresia e equiparou com o anticristo os que a apoiavam. Por causa de sua recusa em ceder, acusações falsas a seu respeito foram feitas no tribunal de Alexandria e ele teve de fugir para Roma em 339. Ao todo Atanásio enfrentou cinco exílios: “Dezessete dos seus quarenta e seis anos de seu bispado, Atanásio passou no exílio. A política e a teologia de Atanásio sempre se misturaram. Assim viveu Atanásio, defendendo seu modo de entender a fé católica como declarou em Nicéia”.



No meio de tudo isso Atanásio conseguiu convocar um concílio (sínodo) em Alexandria. Nem todos os bispos compareceram, naturalmente, portanto, não é considerado um concílio ecumênico. Não teve o apoio, nem do imperador, nem dos muitos bispos de destaques na igreja. Mesmo assim preparou caminho para o segundo concílio ecumênico, o Concílio de Constantinopla, que seria realizado, depois da morte de Atanásio e, em grande medida, como, resultado da obra deste. Seu sínodo em Alexandria reuniu-se em 362. Os bispos ali reunidos reafirmaram homoousios contra a única descrição apropriada do relacionamento entre o Filho e o Pai rejeitaram explicitamente como heresias tanto o homoiousios semi=-ariano como o sabelianismo (Heresia pregada por Sabélio, no século III, cuja a principal tônica era a negação da Santíssima Trindade).



O sínodo deu passo novo que seria crucial para o sucesso da doutrina nicena da Trindade no Concílio de Constantinopla em 381. Com a ajuda dos seus amigos os pais capadócios (Basílio e os dois Gregórios). Atanásio propôs, e o sínodo aceitou uma declaração explicativa no sentido de o Pai, o Filho e o Espírito Santo serem hypostases ([Do gr. hypo, sob, debaixo + stasis, o que está, o suporte] Natureza ou substância. Palavra utilizada para contrastar a natureza essencial da divindade em relação a seus atributos Com freqüência é aplicada para mostrar a distinção entre as naturezas humanas e divinas de Jesus.), distintos, mas não separados, do único Deus.



O Concílio de Constantinopla em 381, foi marcado por ter dado os retoques finais no Credo de Nicéia, ter condenado e excluído várias heresias e ter estabelecido a doutrina formal da Trindade elaborada por Atanásio e seus amigos, os pais capadócios. Assim sendo as principais resoluções deste foram:







A confissão da divindade do Espírito Santo;



Condenação de todos os defensores do arianismo, sob quaisquer de suas modalidades;



A sede de Constantinopla, recebeu uma preeminência sobre as sedes de Jerusalém, Alexandria e Antioquia;



Éfeso – (22/06 a 17/07 de 431) Cirilo e seus leais bispos foram os primeiros a chegar e tiveram de esperar alguns dias. Quando ninguém mais apareceu, Cirilo, o único patriarca presente, abriu a seção e deu início aos trabalhos na ausência de Nestório ou de qualquer outro bispo leal de Antioquia. Primeiramente, os bispos reunidos leram em voz alta o Credo Niceno de Constantinopla I e o reafirmaram, declarando que eram suficiente como credo e que tinha a verdade essencial da cristologia ortodoxa. Em seguida, foi lida a segunda carta de Cirilo a Nestório. Continha suas declarações a respeito do Filho de Deus como o sujeito da vida humana de Jesus Cristo e criticava severamente o dualismo cristológico de Nestório. (Nestorianismo - [Do lat. Nestorianismus] Heresia pregada por Nestório, patriarca de Constantinopla. O cerne desta doutrina era a não admissão da união hipostática das duas naturezas em Jesus Cristo: a divina e a humana.)



Os bispos voltaram em favor dela como a interpretação verdadeira e autorizada do Credo Niceno no que dizia respeito à pessoa de Jesus Cristo. Finalmente o concílio condenou Nestório e sua cristologia como heresia.



O Concílio de Éfeso, em geral considerado o terceiro concílio ecumênico da Cristandade, não promulgou qualquer credo novo, mas endossou uma crença e a declarou obrigatória para todos os cristãos. É uma fórmula dogmática tirada quase que palavra por palavra das cartas de Cirilo a Nestório: “O eterno Filho do Pai é um e exatamente a mesma pessoa que o Filho da Virgem Maria, nascido no tempo e na sua carne; por isso, ela pode ser corretamente chamada Mãe de Deus”.



Além da condenação de Nestório, houve também a de Pelágio com sua doutrina palegiana (Pelagianismo – [Do lat. Pelagianismus] Doutrina formentada por Pelágio, clérigo britânico do séc. IV. Entre outras coisas, ele minimizava a eficácia da graça divina, e afirmava que a realidade humana nada sofreu em conseqüência do pecado de Adão. Ou seja: negava o pecado original e a corrupção do gênero humano.)







Decisões principais:







Cristo é uma só Pessoa e duas natureza;



Definição do dogma da maternidade divina de Maria, contra Nestório, que foi deposto;



Maria é Mãe de Deus – THEOTOKOS; "Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela a sua natureza divina, mas porque é dela que Ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne". (DS 251)



Condenou o pelagianismo, de Pelágio, que negava os efeitos do pecado original;



Condenou o messalianismo, que apregoava uma total apatia ou uma Moral indiferentista;











Calcedônia – (08/10 a 01/11 de 451) Calcedônia é considerada o quarto concílio ecumênico da Cristandade e produziu uma definição doutrinária – as vezes considerada como um credo – que declarou o dogma oficial da pessoa de Jesus Cristo. Esse dogma é chamado “união hipostática”. Este



Capítulo é a história de como a igreja chegou a lavrar e a declarar esse dogma e como a Definição de Calcedônia o declarou obrigatório para todos os cristãos. No fim desta seção, veremos que, embora a Grande Igreja considerasse a questão encerrada em calcedônia em 451, vários grupos de cristãos se recusaram a aceitar essa solução e continuaram a protestar e argumentar contra ela. A resposta da igreja católica e ortodoxa para esse protesto arrastou-a para as especulações teológicas a respeito da pessoa de Cristo, e embora muitos protestantes possam seguir, e realmente sigam, o pensamento da igreja até Calcedônia e sua doutrina da união hipostática, ali eles se detêm e não consideram obrigatórios os pronunciamentos feitos depois dela. Isto é, quando até mesmo os protestantes conservadores relembram os processos que definiram a verdadeira doutrina nos primeiros séculos do cristianismo, a maioria não se espanta com o que foi chamado de ortodoxo depois de Calcedônia.



O grande Concílio Ecumênico de Calcedônia foi aberto um pouco pomposo cerimonial em 08 de outubro de 451, com a presença de quinhentos bispos, dezoito oficiais de estado do alto escalão, inclusive o casal imperial.



Embora o Concílio de Calcedônia encerrasse a grande controvérsia entre Antioquia e Alexandria a respeito da pessoa de Jesus Cristo, não encerrou definitivamente todos os debates e as controvérsias sobre a doutrina, o concílio e sua fórmula da crença ortodoxa em Cristo causou um longo e paulatino efeito de debates sobre significado exato. Mais uma vez, assim como antes, os imperadores se envolveram e novos concílios foram convocados para definir, de uma vez por todas, uma crença uniforme a respeito da encarnação de Deus em Cristo. A maior parte da controvérsia pós-Calcedônia acontecia no Oriente e a igreja ocidental não tomava conhecimento a não ser quando forçada a tanto pó algum imperador, como acontecia de tempos em tempos. Certo historiador eclesiástico escreveu que “em vez de solução, Calcedônia provou ser mais a definição clássica do problema que exige mais explicações”. Embora tenha proposto uma doutrina teologicamente correta a respeito de Jesus Cristo, e sua fórmula sobrevivido ao tempo. “do ponto de vista político, o Concílio de Calcedônia foi um fracasso” porque “tão logo os bispos partiram de Calcedônia, os dissidentes começaram a expressar sua indignação”. Alguns alexandrinos (até mesmo fora do Egito) se separaram, negando-se a fingir que apoiavam a Definição de Calcedônia, sendo chamados “monofisistas radicais” (Monofisismo - [Do gr. monos, um + physis, natureza],Doutrina segundo a qual o Senhor Jesus tinha apenas uma natureza: a divina. Sua humanidade seria apenas aparente. A Bíblia, porém, afirma que Jesus é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.), por que recusavam qualquer tipo de acordo com uma igreja que não declararia que Cristo tem “uma só natureza depois da união”. Eles rejeitaram Eutiques e seu erro de negar que a humanidade de Cristo era consubstancial com a nossa, mas não queriam nenhuma aliança com quem alegasse que Cristo tinha duas naturezas. Certos antioquinos radicais – realmente nestorianos – também se separaram da Grande Igreja porque a Definição de Calcedônia anatematizava qualquer divisão das duas naturezas e soava como o eutiquismo (Ensino elaborado por Êutico (375-454), chefe de convento da Igreja Oriental. Segundo esta doutrina , a natureza de Cristo foi absorvida quando da encarnação do Verbo de Deus. Indiretamente,era a negação tanto da natureza divina, quanto da humana de Jesus. O eutiquismo foi declarado herético pelo Concílio de Calcedônia em 451.) e o monofisismo ao enfatizar a única pessoa de Cristo.







Decisões principais:







Afirmação das duas naturezas na única Pessoa de Cristo, contra o monofisismo de Êutiques de Constantinopla; ‘ Na linha dos santos, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo Verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial as nós segundo a humanidade, “semelhante a nós em tudo com exceção do pecado” (Hb. 4.15); Gerado do Pai antes de todos os séculos, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho único que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das duas naturezas não é de modo algum suprimida pela sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase”. (DS 301-302)



Condenação da simonia, dos casamentos mistos e das ordenações absolutas (realizada sem que o novo clérigo tivesse determinada função pastoral);











Constantinopla II – (05/05 a 02/07 de 553) Alguns cismas houveram neste concílio. Entretanto, a condenação dos nestorianos (Nestorianismo - [Do lat. Nestorianismus] Heresia pregada por Nestório, patriarca de Constantinopla. O cerne desta doutrina era a não admissão da união hipostática das duas naturezas em Jesus Cristo: a divina e a humana.), Teodoro de Mopsuéstia, Teodoro de Cirilo e Ibas de Edessa (Três Capítulos), foi talvez o principal assunto. “Não há senão uma única hipóstase [ou pessoa], que é nosso Senhor Jesus Cristo, um na Trindade...Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é Verdadeiro Deus, Senhor da Glória e Um na Trindade”. (DS 424).



“Toda a economia divina é obra comum das três pessoas divinas. Pois da mesma forma que a Trindade não tem senão uma única e mesma natureza, assim também, não tem senão uma única e mesma operação”. (DS 421).



“Um Deus e Pai do qual são todas as coisas, um Senhor Jesus Cristo para quem são todas as coisas, um Espírito Santo em quem são todas as coisas”. (DS 421).



O Concílio de Constantinopla II em 553, reuniu forças para a explicação da encarnação de Cristo.



Seguremos a tradição de considerar Leôncio de Bizâncio a pessoa que conduziu a Grande Igreja em direção à solução no Segundo Concílio de Constantinopla em 553. Os neocalcedônios queriam encontrar o acordo para os antioquenos moderados (diofisistas) e os alexandrinos moderados (monofisistas) e, ao mesmo tempo, rejeitar as alas radicais dos dois partidos. O caminho para a linguagem de Calcedônia como se fosse “talhada em pedra” e, ao mesmo tempo, interpretá-la de tal maneira que a natureza humana de Cristo fosse encarada como real e genuína sem lhe atribuir qualquer existência independente do Logos. Em outras palavras, todas as categorias conhecidas da existência (physis,ousia) e personalidade (prosopon, hypostasis) precisavam transcender em um salto conceitual para uma nova categoria.



A solução proposta por Leôncio não era uma contribuição para a fé nicena conforme interpretada em Calcedônia. Tudo que envolve enipostasia (Enipôstase – Termo grego usado para explicar a encarnação da divindade num ser humano. Segundo esta doutrina, a encarnação de Cristo foi completa, incluindo todos os atributos comunicáveis e incomunicáveis da Segunda Pessoa da Trindade), é uma interpretação da cristologia calcedônia que ajuda vencer as fortes objeções levantadas pelos alexandrinos e pelos antioquenos, embora os defensores mais obstinados dos dois partidos tenham se recusado a ceder e a aceitá-la. O mais importante é que nem Leôncio, nem Justiniano, nem o Segundo Concílio de Constantinopla em 553 considerou que essa solução iria além de Calcedônia, em qualquer detalhe.











Constantinopla III – (07/11 de 680 a 16/09 de 681) Os monofisistas (monofisismo - [Do gr. monos, um + physis, natureza],Doutrina segundo a qual o Senhor Jesus tinha apenas uma natureza: a divina. Sua humanidade seria apenas aparente. A Bíblia, porém, afirma que Jesus é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.), eram cristãos que, sob a influência de Alexandria, acreditavam que a Definição de Calcedônia realmente violava o espírito da doutrina da união hipostática, defendida por Cirilo de Alexandria. Entendiam que ela favorecia a idéia antioquina de duas naturezas e duas pessoas em Cristo. Em outras palavras, acreditavam que não era suficiente para excluir o nestorianismo. Vários imperadores em Constantinopla procuraram aplacar os monofisistas – mas sem muito sucesso. Os monofisistas continuaram sendo uma força poderosa a ser levada em conta no Império Bizantino. Durante os séculos V e VI, muitos imperadores e os principais bispos do Oriente esforçaram-se em prol da união entre os cristãos ortodoxos e os monofisistas. Uma proposta aparentemente atraente para acabar com esse hiato foi o monotelismo, a idéia de que, embora Jesus Cristo fosse uma só pessoa integral com duas naturezas completas, porém inseparáveis, tinha uma única vontade: a divina. Os monotelistas e seus simpatizantes esperavam que esse acordo fosse reunificar a igreja, afinal, as partes não estavam cedendo tanto assim.



Máximo, assim como João Crisóstomo antes dele, nasceu em uma família de boa reputação. Não se sabe o ano exato do seu nascimento em Constantinopla, mas provavelmente foi por volta de 580. Na vida adulta, tornou-se um servidor público bem-sucedido e foi convidado pelo imperador Heráclio para ser seu secretário de Estado pessoal. Depois de um breve período no cargo, no entanto, Máximo deixou o serviço imperial para tornar-se monge e, depois de habitar em vários mosteiros, chegou a Cartago em 632. Foi ali que ouviu falar, pela primeira vez, do monotelismo e começou sua luta contra ele, que durou até o fim de sua vida, executado por esse motivo.



A visão cristã da realidade, a ontologia, de Máximo começa com a idéia de que tudo na criação é, em algum sentido, uma revelação de Deus porque “o mundo inteiro é a indumentária do Logos”. Por causa da criação pelo Logos e especialmente por causa da encarnação do Logos na raça humana, “a essência de tudo neste mundo é espiritual”. Podemos reconhecer a urdidura do Logos em todos os lugares”. O mundo foi criado por Deus como expressão de si mesmo e veículo de sua presença e se uniria a ele através do Logos – a segunda pessoa da Trindade. Essa união aconteceria numa progressão natural e chegaria ao auge na encarnação, se os primeiros seres humanos não tivessem pecado. Nas palavras do próprio máximo:



“Aquele que fundou a existência – origem, “gênese” – de toda a criação, visível e invisível, por um único ato de sua vontade tomou de forma inefável, antes de todas as eras, e antes de qualquer começo do mundo criado, a bom conselho a decisão de que ele mesmo se uniria de modo inalterável à natureza humana pela verdadeira unidade de hipóstases. E uniu-se inalteravelmente à natureza humana, para que se tornasse ele próprio um homem, conforme ele próprio sabe, e para que tornasse o homem um deus pela união consigo”.



Muito depois do martírio de Máximo, sua cristologia foi vindicada pelo sexto concílio ecumênico, convocado pelo imperador Constantino IV. Conhecido como o Terceiro Concílio de Constantinopla ou Constantinopla III, ficou reunido de 680 a 681 e condenou o monotelismo e afirmou duas vontades naturais em Cristo. A partir de então, a reputação de Máximo de grande herói da Ortodoxia foi firmemente sustentada. Sua visão da redenção cósmica é, em geral, aceita como válida pelos cristãos ortodoxos orientais.







Decisões Principais:







Condenação do monotelitismo, heresia defendida pelo patriarca de Constantinopla que ensinava haver só a vontade divina em Cristo;



Este Concílio ensinou que Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas, mas cooperantes, de sorte que o Verbo feito carne quis humanamente na obediência a seu Pai tudo o que decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo para anossa salvação (DS 556-559). A vontade humana de Cristo “segue a vontade divina, sem estar em resistência nem, oposição em relação a ela, mas antes sendo subordinada a esta vontade toda-poderosa”. (DS 556/CIC 475)



















Nicéia II – (24/09 a 23/10 de 787) a história da teologia oriental bizantina chegou ao auge de tensão, conflito e resolução com a grande controvérsia inconoclasta do século VIII. O herói ortodoxo desse episódio histórico é João Damasceno. A resolução acha-se num concílio final, que completou o processo da tradição autoritária da ortodoxia oriental em 787, com a declaração de que imagens santas - ícones - não devem ser rejeitadas mas, de fato, usadas no culto cristão. João passou a justificar o uso de ícones na adoração ao fazer a distinção sutil, porém, importante, entre a adoração propriamente dita de uma pessoa ou objeto e a mera veneração – um certo respeito por alguma ciosa, por ser dedicada a Deus e permeada por sua energia espiritual. A adoração absoluta, que João designou pela palavra grega latria, só pode ser prestada a Deus, ao passo que a proskynesis, ou reverência, pode ser prestada às santas imagens por que são canais sacramentais da energia divina. A maneira de João enxergar os ícones afetou profundamente o segundo Concílio de Nicéia em 787, que foi o sétimo concílio ecumênico, segundo a ortodoxia oriental. Os bispos ali reunidos decidiram pela condenação dos inconoclastas ([Do gr. eikonoklástes.]Diz-se de que destrói imagens ou ídolos; pessoa que não respeita as tradições, a quem nada parece digno de culto ou reverência.) “Anátema aos que não saúdam [veneram] as imagens santas e veneráveis. Anátema aos que chamam de ídolos as imagens sagradas”.







Principal Decisão:







Contra os inconoclastas: Há sentido e liceidade na veneração de imagens;







Por André Rodrigues







BIBLIOGRAFIA: História da Teologia Cristã Roger Olson Ed. Vida



Dicionário Teológico Claudionor Corrêia de Andrade CPAD



Dicionário de Aurélio B. H. F. (edição virtual)

OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues

OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues: OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues: OS SETE CONCÍLIOS ECUMÊNICOS DA IGREJA - Por André Rodrigues: Concílio [Do lat. conciliu.] Sm.



Reunião de toda uma Igreja cristã, pela convocação de uma representação determinada, para definir e deliberar sobre pontos atinentes à missão que lhe é própria. (Dicionário Aurélio/Eletrônico)







Ecumênico [Do gr. oikoumenikós, pelo lat. oecumenicu.] Adj.







1.Relativo a toda a Terra habitada; universal.



2.Relativo ao ecumenismo.



3.Rel. Diz-se do crente que manifesta disposição à convivência e diálogo com outras confissões religiosas.















Os Concílios Ecumênicos ou “Assembléias Universais”, eram convocados por ingerência do Estado, visando a unidade da Igreja. Com o fortalecimento da Sé Romana, porém, tais reuniões passaram a ser convocadas única e exclusivamente pelo papa. Estes Concílios são em número de sete: O de Nicéia em 325, Constantinopla em 381, Éfeso em 431, Calcedônia em 451, Constantinopla II em 553, Constantinopla III que teve duração de quase um ano, 680 a 681 e Nicéia II em 787. Diversas foram as resoluções nestes Concílios e passaremos a apresentar em resumo algumas das principais em cada um deles, bem como a síntese de suas histórias.







Nicéia – (De 20/05 a 25/07 de 325) Em outubro de 312, um general do exército romano, chamado Constantino, atacou Roma para depor Maxêncio, o homem que alegava ser o imperador, e tomar o trono do império. Constantino foi o general-comandante nas legiões romanas na Bretanha e na Europa ao norte dos Alpes durante vários anos e acreditava ter mais direito de ser imperador do que qualquer de seus rivais. Provavelmente, tinha bons conhecimentos do cristianismo, mas não existem provas de sua conversão a fé, nem mesmo de uma forte simpatia por ela antes de sitiar Roma em 312. Segundo seu biógrafo, o bispo cristão Euzébio, Constantino fez um apelo a qualquer deus que pudesse ajudá-lo a derrotar seu rival e teve a visão de um símbolo cristão com as palavras “Sob este símbolo vencerás”. Segundo se declara entrou na batalha no dia seguinte com o símbolo de Cristo exibido em suas bandeiras e escudos de guerra e seu inimigo Maxêncio foi jogado na Ponte Mívia na periferia de Roma, no rio Pó onde se afogou. Euzébio, que considerava Constantino um grande herói, comparou Maxêncio com faraó e Constantino com Moisés e declarou que a vitória foi uma intervenção divina.



Depois de se tornar imperador, Constantino promulgou o “Edito de Milão”, que declarou oficialmente a tolerância imperial do cristianismo (313). A partir de então, promulgou uma série de editos que restauravam aos cristãos os seus bens, e paulatinamente, começou a favorecer os cristãos e o cristianismo mais do que as demais religiões. Constantino nunca chegou a fazer a religião oficial do império e permaneceu o pontifex maximus, ou sumo sacerdote, da religião pagã oficial do império, até ser batizado pouco antes de sua morte em 337.



Durante todo o seu reinado, o relacionamento entre Constantino e os líderes cristãos foi tempestuoso. Chegou a se considerar o “bispo de todos os bispos” e o “ décimo terceiro apóstolo” embora fosse pagão e recusasse o batismo até chegar praticamente no leito de morte. Aparentemente, a unificação da igreja foi uma de suas obsessões e o domínio da liderança eclesiástica, o meio de atingir o seu objetivo. As igrejas cristãs do império estavam seriamente divididas na ocasião de sua ascensão e Constantino queria usar o cristianismo como uma “cola” para reunificar o império. Para tanto precisava extirpar os cismas, as heresias e as dissensões onde quer que estivessem. Na ocasião de sua morte, Constantino não havia resolvido totalmente esse assunto e muitos historiadores eclesiásticos argumentam que na realidade, ele apoiava tanto as heresias como a ortodoxia.



No reinado de Constantino aconteceram vários eventos importantes para o cristianismo e para a teologia . Em primeiro lugar, conforme já foi observado, a perseguição oficial dissipou-se e ser cristão, pelo menos de nome, passou a ser popular e prudente. Hordas de pagãos não convertidos entraram como uma inundação para as igrejas cristãs simplesmente para ganhar posição aos olhos da corte imperial e da burocracia dirigida por Constantino.



Em segundo lugar, saiu de Roma e edificou uma “Nova Roma” no Oriente como a nova capital imperial. Escolheu a cidade de Bizâncio (atual Istambul, na Turquia) e deu-lhe um novo nome em homenagem a si mesmo: Constantinopla.



Em terceiro lugar, o cisma mais divisor que a igreja já havia experimentado ocorreu no reinado de Constantino. Começou em Alexandria e se propagou por todo o império, causando maior impacto na metade que falava grego. Ficou conhecido por controvérsia ariana (Arianismo- Heresia fermentada por um Presbítero do 4° século chamado Ário. Negando a divindade de Cristo, ensinava ele ser Jesus o mais elevado dos seres criados. Todavia, não era Deus. Por este motivo seria impropriedade referir-se a Cristo como se fora um ente divino. Para fundamentar seus devaneios doutrinários, buscava desvalorizar o evangelho de João por ser o propósito desta Escritura, justamente, mostrar que Jesus Cristo era, de fato, o filho de Deus.) e passou por várias etapas durante quase todo o século.



Em quarto lugar, a igreja celebrou seu primeiro concílio ecumênico (universal) afim de dirimir conflitos doutrinários e eclesiásticos: O Concílio de Nicéia em 325. Foi Constantino quem o convocou e o presidiu. A doutrina formal e oficial ortodoxa da Trindade foi elaborada, em meio as fortes críticas, e expressa no credo normalmente conhecido Credo de Nicéia, mas oficialmente chamado Credo niceno-constantinopolitano (por ser sua versão definitiva concluída no Concílio de Constantinopla em 381). Acabou se tornando a declaração universal de fé da cristandade e assim permanece para a maior parte dos ramos do cristianismo.



Para entendermos a relevância do Concílio de Nicéia, é preciso fazer uma pausa e relembrar a situação em que a igreja se encontrava pouco antes de 325. Bispos e outros cristãos líderes foram perseguidos com ferocidade, e por vezes, executados pelas autoridades romanas. Os templos das igrejas foram confiscados e transformados em templos de deuses e deusas ou locais de adoração ao imperador. A igreja cristã era em geral, considerada uma seita religiosa estranha e uma ameaça em potencial ao império por está cheia de subversivos que se recusavam a honrar o imperador venerando seu “gênio”. De repente, tudo mudou. O mundo parece simplesmente virar de cabeça para baixo. Agora, um imperador romano, um dos mais fortes que já havia aparecido depois de muitos anos, ordenava que todos os bispos cristãos comparecessem para deliberar em uma reunião que ele presidiria.



Alguns cristãos perceberam a ameaça inerente da prepotência imperial no lugar da perseguição imperial. A maioria, não. O imperador convocou os bispos, e prometeu que pagaria as despesas e forneceria proteção. A maioria dos bispos do Oriente compareceu. As condições impróprias para a viagem e as dificuldades com o idioma impediram o comparecimento de muitos bispos do Ocidente. Mesmo assim, os ramos Oriental e Ocidental do cristianismo – Ortodoxo e Católico – vieram a reconhecer esta reunião em Nicéia em 325 como o primeiro concílio ecumênico da igreja. Outros se seguiriam, mas nenhum seria tão importante.



Trezentos e dezoito bispos estavam presentes nas cerimônias de abertura. Infelizmente , não sobreviveram registros contemporâneos das sessões do concílio em si. O concílio durou dois meses e tratou de muitas questões que confrontavam a igreja. Aproximadamente vinte “cânones” ou decretos distintos foram promulgados pelo imperador e pelos bispos a respeito de assuntos que variam desde a deposição de bispos relapso até a ordenação de eunucos. O concílio ofereceu oportunidade de muitas dúvidas que atormentavam as igrejas, inclusive a maneira exata de fixar a data da páscoa e a situação de bispos que se mudavam de uma sé para outra. Todos estes assuntos, no entanto, eram de importância secundária à razão principal do concílio. O imperador conclamara o concílio para dirimir a controvérsia ariana e era a respeito dela que os bispos queriam falar.



Dos 318 bispos que estavam presente na abertura do concílio, somente 28 eram declaradamente arianos desde o início. O próprio Ário não teve permissão para participar do concílio por não ser bispo. Foi representado por Euzébio de Nicomédia e Teogno de Nicéia.







Principais Decisões:



A confissão de fé contra Ário: Igualdade de natureza do Filho com o Pai. Jesus é “Deus de Deus, Luz da Luz, deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.



Fixação da data da Páscoa a ser celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera (Hemisfério Norte)



Estabelecimento da ordem de dignidade dos Patriarcados: Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.



Inicialização do Credo.











Constantinopla – (Maio a Junho de 381) Quando Alexandre, bispo de Alexandria,. Foi ao Concílio de Nicéia para defender a causa trinitária contra Ário e os seus seguidores, levou consigo um jovem assistente chamado Atanásio, que tinha apenas vinte e poucos anos, mas prometia muito como teólogo. É improvável que Atanásio tenha desempenhado qualquer papel relevante no concílio, mas posteriormente foi preparado por Alexandre para ser seu herdeiro na liderança da sé de Alexandria. Quando Alexandre morreu em 328, Atanásio, com trinta anos, sucedeu-lhe neste estratégico cargo eclesiástico.



Atanásio atuou como arcebispo e patriarca de Alexandria durante 45 anos, até sua morte em 373. Passou um terço deste período em exílio forçado, por causa da defesa resoluta da terminologia essencial do Credo de Nicéia diante da oposição imperial. Gonzales expressa o consenso da maioria dos teólogos cristãos ao dizer: “Atanásio foi, sem dúvida alguma, o bispo mais notável que chegou a ocupar a antiga sé de Alexandria e (...) foi também o maior teólogo de seu tempo”. No seu século e durante toda a sua vida, Atanásio foi extremamente controverso.



Muitos bispos e imperadores consideravam-no um controversista inflexível que se recusava a ceder teologicamente em prol da unidade eclesiástica. Entre os anos de 325 e 332, exatamente quando Atanásio estava assumindo seus deveres como bispo de Alexandria, o imperador Constantino começou a mudar de partido no assunto (Arianismo), sob pressão de bispos e conselheiros que secretamente simpatizavam com Ário e dos bispos que o apoiaram e foram depostos e exilados. Estes simpatizantes do arianismo conseguiram conquistar a confiança do imperador e este começou paulatinamente a pensar em mudar o credo e até mesmo a restaurar Ário e os bispos de Nicomédia e Nicéia.



Em 332, Constantino declarou Ário restaurado como presbítero em Alexandria e ordenou que o novo bispo o aceitasse de voltas a comunhão da igreja naquele local. Atanásio recusou-se a não ser que Ário afirmasse homoousios ([Do gr. homo, mesmo + ousia, substância] Termo que começou a ganhar importância a partir do Concílio de Nicéia em 325. Em meio aos debates cristológicos, serviu para mostrar que o Filho tem a mesma substância do Pai, o mesmo acontece com o Espírito Santo em relação as duas primeiras pessoas da Santíssima Trindade.), como descrição do relacionamento entre o Pai e o Filho. Ário não quis. Atanásio rejeitou-o e desconsiderou as exortações e ameaças do imperador. Como resultado, Constantino exilou Atanásio para o posto avançado mais afastado do Império Romano no Ocidente: a cidade alemã de Tréveris. Seu exílio começou em novembro de 335 e durou até a morte de Constantino em 337. Durante este período de ausência de sua sé, no entanto, Atanásio permaneceu como o único bispo reconhecido de Alexandria. Os bispos do Egito, os presbíteros e o povo de Alexandria recusaram-se a substituí-lo e Atanásio continuou sendo o bispo amado deles, mesmo no exílio.



Logo após a morte de Constantino, seu filho Constâncio, sucessor no império, permitiu que Atanásio retornasse a sua sé em Alexandria. Porém, sua restauração não seria permanente.



O imperador queria paz e a uniformidade era o caminho para ela. Chegou a achar que o termo homoousios, ironicamente, sugerido e imposto por seu pai, Constantino, deveria ser substituído no Credo de Nicéia pó homoioussios, que significa “de substância semelhante” e era aceitável para os semi-arianos (buscando uma posição intermediária, os semi-arianistas diziam que Cristo é na verdade semelhante ao Pai, mas não compartilha a substância do Pai) e até mesmo para muitos trinitários. A nova terminologia teria tornado ortodoxa, se aceita, a crença de que o Pai e o Filho compartilham de “substância semelhante” ou de “existência semelhante” em vez de se crer que são da mesma substância ou existência.



Atanásio resistiu com teimosia à mudança e até mesmo a condenou como heresia e equiparou com o anticristo os que a apoiavam. Por causa de sua recusa em ceder, acusações falsas a seu respeito foram feitas no tribunal de Alexandria e ele teve de fugir para Roma em 339. Ao todo Atanásio enfrentou cinco exílios: “Dezessete dos seus quarenta e seis anos de seu bispado, Atanásio passou no exílio. A política e a teologia de Atanásio sempre se misturaram. Assim viveu Atanásio, defendendo seu modo de entender a fé católica como declarou em Nicéia”.



No meio de tudo isso Atanásio conseguiu convocar um concílio (sínodo) em Alexandria. Nem todos os bispos compareceram, naturalmente, portanto, não é considerado um concílio ecumênico. Não teve o apoio, nem do imperador, nem dos muitos bispos de destaques na igreja. Mesmo assim preparou caminho para o segundo concílio ecumênico, o Concílio de Constantinopla, que seria realizado, depois da morte de Atanásio e, em grande medida, como, resultado da obra deste. Seu sínodo em Alexandria reuniu-se em 362. Os bispos ali reunidos reafirmaram homoousios contra a única descrição apropriada do relacionamento entre o Filho e o Pai rejeitaram explicitamente como heresias tanto o homoiousios semi=-ariano como o sabelianismo (Heresia pregada por Sabélio, no século III, cuja a principal tônica era a negação da Santíssima Trindade).



O sínodo deu passo novo que seria crucial para o sucesso da doutrina nicena da Trindade no Concílio de Constantinopla em 381. Com a ajuda dos seus amigos os pais capadócios (Basílio e os dois Gregórios). Atanásio propôs, e o sínodo aceitou uma declaração explicativa no sentido de o Pai, o Filho e o Espírito Santo serem hypostases ([Do gr. hypo, sob, debaixo + stasis, o que está, o suporte] Natureza ou substância. Palavra utilizada para contrastar a natureza essencial da divindade em relação a seus atributos Com freqüência é aplicada para mostrar a distinção entre as naturezas humanas e divinas de Jesus.), distintos, mas não separados, do único Deus.



O Concílio de Constantinopla em 381, foi marcado por ter dado os retoques finais no Credo de Nicéia, ter condenado e excluído várias heresias e ter estabelecido a doutrina formal da Trindade elaborada por Atanásio e seus amigos, os pais capadócios. Assim sendo as principais resoluções deste foram:







A confissão da divindade do Espírito Santo;



Condenação de todos os defensores do arianismo, sob quaisquer de suas modalidades;



A sede de Constantinopla, recebeu uma preeminência sobre as sedes de Jerusalém, Alexandria e Antioquia;



Éfeso – (22/06 a 17/07 de 431) Cirilo e seus leais bispos foram os primeiros a chegar e tiveram de esperar alguns dias. Quando ninguém mais apareceu, Cirilo, o único patriarca presente, abriu a seção e deu início aos trabalhos na ausência de Nestório ou de qualquer outro bispo leal de Antioquia. Primeiramente, os bispos reunidos leram em voz alta o Credo Niceno de Constantinopla I e o reafirmaram, declarando que eram suficiente como credo e que tinha a verdade essencial da cristologia ortodoxa. Em seguida, foi lida a segunda carta de Cirilo a Nestório. Continha suas declarações a respeito do Filho de Deus como o sujeito da vida humana de Jesus Cristo e criticava severamente o dualismo cristológico de Nestório. (Nestorianismo - [Do lat. Nestorianismus] Heresia pregada por Nestório, patriarca de Constantinopla. O cerne desta doutrina era a não admissão da união hipostática das duas naturezas em Jesus Cristo: a divina e a humana.)



Os bispos voltaram em favor dela como a interpretação verdadeira e autorizada do Credo Niceno no que dizia respeito à pessoa de Jesus Cristo. Finalmente o concílio condenou Nestório e sua cristologia como heresia.



O Concílio de Éfeso, em geral considerado o terceiro concílio ecumênico da Cristandade, não promulgou qualquer credo novo, mas endossou uma crença e a declarou obrigatória para todos os cristãos. É uma fórmula dogmática tirada quase que palavra por palavra das cartas de Cirilo a Nestório: “O eterno Filho do Pai é um e exatamente a mesma pessoa que o Filho da Virgem Maria, nascido no tempo e na sua carne; por isso, ela pode ser corretamente chamada Mãe de Deus”.



Além da condenação de Nestório, houve também a de Pelágio com sua doutrina palegiana (Pelagianismo – [Do lat. Pelagianismus] Doutrina formentada por Pelágio, clérigo britânico do séc. IV. Entre outras coisas, ele minimizava a eficácia da graça divina, e afirmava que a realidade humana nada sofreu em conseqüência do pecado de Adão. Ou seja: negava o pecado original e a corrupção do gênero humano.)







Decisões principais:







Cristo é uma só Pessoa e duas natureza;



Definição do dogma da maternidade divina de Maria, contra Nestório, que foi deposto;



Maria é Mãe de Deus – THEOTOKOS; "Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela a sua natureza divina, mas porque é dela que Ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne". (DS 251)



Condenou o pelagianismo, de Pelágio, que negava os efeitos do pecado original;



Condenou o messalianismo, que apregoava uma total apatia ou uma Moral indiferentista;











Calcedônia – (08/10 a 01/11 de 451) Calcedônia é considerada o quarto concílio ecumênico da Cristandade e produziu uma definição doutrinária – as vezes considerada como um credo – que declarou o dogma oficial da pessoa de Jesus Cristo. Esse dogma é chamado “união hipostática”. Este



Capítulo é a história de como a igreja chegou a lavrar e a declarar esse dogma e como a Definição de Calcedônia o declarou obrigatório para todos os cristãos. No fim desta seção, veremos que, embora a Grande Igreja considerasse a questão encerrada em calcedônia em 451, vários grupos de cristãos se recusaram a aceitar essa solução e continuaram a protestar e argumentar contra ela. A resposta da igreja católica e ortodoxa para esse protesto arrastou-a para as especulações teológicas a respeito da pessoa de Cristo, e embora muitos protestantes possam seguir, e realmente sigam, o pensamento da igreja até Calcedônia e sua doutrina da união hipostática, ali eles se detêm e não consideram obrigatórios os pronunciamentos feitos depois dela. Isto é, quando até mesmo os protestantes conservadores relembram os processos que definiram a verdadeira doutrina nos primeiros séculos do cristianismo, a maioria não se espanta com o que foi chamado de ortodoxo depois de Calcedônia.



O grande Concílio Ecumênico de Calcedônia foi aberto um pouco pomposo cerimonial em 08 de outubro de 451, com a presença de quinhentos bispos, dezoito oficiais de estado do alto escalão, inclusive o casal imperial.



Embora o Concílio de Calcedônia encerrasse a grande controvérsia entre Antioquia e Alexandria a respeito da pessoa de Jesus Cristo, não encerrou definitivamente todos os debates e as controvérsias sobre a doutrina, o concílio e sua fórmula da crença ortodoxa em Cristo causou um longo e paulatino efeito de debates sobre significado exato. Mais uma vez, assim como antes, os imperadores se envolveram e novos concílios foram convocados para definir, de uma vez por todas, uma crença uniforme a respeito da encarnação de Deus em Cristo. A maior parte da controvérsia pós-Calcedônia acontecia no Oriente e a igreja ocidental não tomava conhecimento a não ser quando forçada a tanto pó algum imperador, como acontecia de tempos em tempos. Certo historiador eclesiástico escreveu que “em vez de solução, Calcedônia provou ser mais a definição clássica do problema que exige mais explicações”. Embora tenha proposto uma doutrina teologicamente correta a respeito de Jesus Cristo, e sua fórmula sobrevivido ao tempo. “do ponto de vista político, o Concílio de Calcedônia foi um fracasso” porque “tão logo os bispos partiram de Calcedônia, os dissidentes começaram a expressar sua indignação”. Alguns alexandrinos (até mesmo fora do Egito) se separaram, negando-se a fingir que apoiavam a Definição de Calcedônia, sendo chamados “monofisistas radicais” (Monofisismo - [Do gr. monos, um + physis, natureza],Doutrina segundo a qual o Senhor Jesus tinha apenas uma natureza: a divina. Sua humanidade seria apenas aparente. A Bíblia, porém, afirma que Jesus é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.), por que recusavam qualquer tipo de acordo com uma igreja que não declararia que Cristo tem “uma só natureza depois da união”. Eles rejeitaram Eutiques e seu erro de negar que a humanidade de Cristo era consubstancial com a nossa, mas não queriam nenhuma aliança com quem alegasse que Cristo tinha duas naturezas. Certos antioquinos radicais – realmente nestorianos – também se separaram da Grande Igreja porque a Definição de Calcedônia anatematizava qualquer divisão das duas naturezas e soava como o eutiquismo (Ensino elaborado por Êutico (375-454), chefe de convento da Igreja Oriental. Segundo esta doutrina , a natureza de Cristo foi absorvida quando da encarnação do Verbo de Deus. Indiretamente,era a negação tanto da natureza divina, quanto da humana de Jesus. O eutiquismo foi declarado herético pelo Concílio de Calcedônia em 451.) e o monofisismo ao enfatizar a única pessoa de Cristo.







Decisões principais:







Afirmação das duas naturezas na única Pessoa de Cristo, contra o monofisismo de Êutiques de Constantinopla; ‘ Na linha dos santos, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo Verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem, composto de uma alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial as nós segundo a humanidade, “semelhante a nós em tudo com exceção do pecado” (Hb. 4.15); Gerado do Pai antes de todos os séculos, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho único que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das duas naturezas não é de modo algum suprimida pela sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa e uma só hipóstase”. (DS 301-302)



Condenação da simonia, dos casamentos mistos e das ordenações absolutas (realizada sem que o novo clérigo tivesse determinada função pastoral);











Constantinopla II – (05/05 a 02/07 de 553) Alguns cismas houveram neste concílio. Entretanto, a condenação dos nestorianos (Nestorianismo - [Do lat. Nestorianismus] Heresia pregada por Nestório, patriarca de Constantinopla. O cerne desta doutrina era a não admissão da união hipostática das duas naturezas em Jesus Cristo: a divina e a humana.), Teodoro de Mopsuéstia, Teodoro de Cirilo e Ibas de Edessa (Três Capítulos), foi talvez o principal assunto. “Não há senão uma única hipóstase [ou pessoa], que é nosso Senhor Jesus Cristo, um na Trindade...Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é Verdadeiro Deus, Senhor da Glória e Um na Trindade”. (DS 424).



“Toda a economia divina é obra comum das três pessoas divinas. Pois da mesma forma que a Trindade não tem senão uma única e mesma natureza, assim também, não tem senão uma única e mesma operação”. (DS 421).



“Um Deus e Pai do qual são todas as coisas, um Senhor Jesus Cristo para quem são todas as coisas, um Espírito Santo em quem são todas as coisas”. (DS 421).



O Concílio de Constantinopla II em 553, reuniu forças para a explicação da encarnação de Cristo.



Seguremos a tradição de considerar Leôncio de Bizâncio a pessoa que conduziu a Grande Igreja em direção à solução no Segundo Concílio de Constantinopla em 553. Os neocalcedônios queriam encontrar o acordo para os antioquenos moderados (diofisistas) e os alexandrinos moderados (monofisistas) e, ao mesmo tempo, rejeitar as alas radicais dos dois partidos. O caminho para a linguagem de Calcedônia como se fosse “talhada em pedra” e, ao mesmo tempo, interpretá-la de tal maneira que a natureza humana de Cristo fosse encarada como real e genuína sem lhe atribuir qualquer existência independente do Logos. Em outras palavras, todas as categorias conhecidas da existência (physis,ousia) e personalidade (prosopon, hypostasis) precisavam transcender em um salto conceitual para uma nova categoria.



A solução proposta por Leôncio não era uma contribuição para a fé nicena conforme interpretada em Calcedônia. Tudo que envolve enipostasia (Enipôstase – Termo grego usado para explicar a encarnação da divindade num ser humano. Segundo esta doutrina, a encarnação de Cristo foi completa, incluindo todos os atributos comunicáveis e incomunicáveis da Segunda Pessoa da Trindade), é uma interpretação da cristologia calcedônia que ajuda vencer as fortes objeções levantadas pelos alexandrinos e pelos antioquenos, embora os defensores mais obstinados dos dois partidos tenham se recusado a ceder e a aceitá-la. O mais importante é que nem Leôncio, nem Justiniano, nem o Segundo Concílio de Constantinopla em 553 considerou que essa solução iria além de Calcedônia, em qualquer detalhe.











Constantinopla III – (07/11 de 680 a 16/09 de 681) Os monofisistas (monofisismo - [Do gr. monos, um + physis, natureza],Doutrina segundo a qual o Senhor Jesus tinha apenas uma natureza: a divina. Sua humanidade seria apenas aparente. A Bíblia, porém, afirma que Jesus é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus.), eram cristãos que, sob a influência de Alexandria, acreditavam que a Definição de Calcedônia realmente violava o espírito da doutrina da união hipostática, defendida por Cirilo de Alexandria. Entendiam que ela favorecia a idéia antioquina de duas naturezas e duas pessoas em Cristo. Em outras palavras, acreditavam que não era suficiente para excluir o nestorianismo. Vários imperadores em Constantinopla procuraram aplacar os monofisistas – mas sem muito sucesso. Os monofisistas continuaram sendo uma força poderosa a ser levada em conta no Império Bizantino. Durante os séculos V e VI, muitos imperadores e os principais bispos do Oriente esforçaram-se em prol da união entre os cristãos ortodoxos e os monofisistas. Uma proposta aparentemente atraente para acabar com esse hiato foi o monotelismo, a idéia de que, embora Jesus Cristo fosse uma só pessoa integral com duas naturezas completas, porém inseparáveis, tinha uma única vontade: a divina. Os monotelistas e seus simpatizantes esperavam que esse acordo fosse reunificar a igreja, afinal, as partes não estavam cedendo tanto assim.



Máximo, assim como João Crisóstomo antes dele, nasceu em uma família de boa reputação. Não se sabe o ano exato do seu nascimento em Constantinopla, mas provavelmente foi por volta de 580. Na vida adulta, tornou-se um servidor público bem-sucedido e foi convidado pelo imperador Heráclio para ser seu secretário de Estado pessoal. Depois de um breve período no cargo, no entanto, Máximo deixou o serviço imperial para tornar-se monge e, depois de habitar em vários mosteiros, chegou a Cartago em 632. Foi ali que ouviu falar, pela primeira vez, do monotelismo e começou sua luta contra ele, que durou até o fim de sua vida, executado por esse motivo.



A visão cristã da realidade, a ontologia, de Máximo começa com a idéia de que tudo na criação é, em algum sentido, uma revelação de Deus porque “o mundo inteiro é a indumentária do Logos”. Por causa da criação pelo Logos e especialmente por causa da encarnação do Logos na raça humana, “a essência de tudo neste mundo é espiritual”. Podemos reconhecer a urdidura do Logos em todos os lugares”. O mundo foi criado por Deus como expressão de si mesmo e veículo de sua presença e se uniria a ele através do Logos – a segunda pessoa da Trindade. Essa união aconteceria numa progressão natural e chegaria ao auge na encarnação, se os primeiros seres humanos não tivessem pecado. Nas palavras do próprio máximo:



“Aquele que fundou a existência – origem, “gênese” – de toda a criação, visível e invisível, por um único ato de sua vontade tomou de forma inefável, antes de todas as eras, e antes de qualquer começo do mundo criado, a bom conselho a decisão de que ele mesmo se uniria de modo inalterável à natureza humana pela verdadeira unidade de hipóstases. E uniu-se inalteravelmente à natureza humana, para que se tornasse ele próprio um homem, conforme ele próprio sabe, e para que tornasse o homem um deus pela união consigo”.



Muito depois do martírio de Máximo, sua cristologia foi vindicada pelo sexto concílio ecumênico, convocado pelo imperador Constantino IV. Conhecido como o Terceiro Concílio de Constantinopla ou Constantinopla III, ficou reunido de 680 a 681 e condenou o monotelismo e afirmou duas vontades naturais em Cristo. A partir de então, a reputação de Máximo de grande herói da Ortodoxia foi firmemente sustentada. Sua visão da redenção cósmica é, em geral, aceita como válida pelos cristãos ortodoxos orientais.







Decisões Principais:







Condenação do monotelitismo, heresia defendida pelo patriarca de Constantinopla que ensinava haver só a vontade divina em Cristo;



Este Concílio ensinou que Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas, mas cooperantes, de sorte que o Verbo feito carne quis humanamente na obediência a seu Pai tudo o que decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo para anossa salvação (DS 556-559). A vontade humana de Cristo “segue a vontade divina, sem estar em resistência nem, oposição em relação a ela, mas antes sendo subordinada a esta vontade toda-poderosa”. (DS 556/CIC 475)



















Nicéia II – (24/09 a 23/10 de 787) a história da teologia oriental bizantina chegou ao auge de tensão, conflito e resolução com a grande controvérsia inconoclasta do século VIII. O herói ortodoxo desse episódio histórico é João Damasceno. A resolução acha-se num concílio final, que completou o processo da tradição autoritária da ortodoxia oriental em 787, com a declaração de que imagens santas - ícones - não devem ser rejeitadas mas, de fato, usadas no culto cristão. João passou a justificar o uso de ícones na adoração ao fazer a distinção sutil, porém, importante, entre a adoração propriamente dita de uma pessoa ou objeto e a mera veneração – um certo respeito por alguma ciosa, por ser dedicada a Deus e permeada por sua energia espiritual. A adoração absoluta, que João designou pela palavra grega latria, só pode ser prestada a Deus, ao passo que a proskynesis, ou reverência, pode ser prestada às santas imagens por que são canais sacramentais da energia divina. A maneira de João enxergar os ícones afetou profundamente o segundo Concílio de Nicéia em 787, que foi o sétimo concílio ecumênico, segundo a ortodoxia oriental. Os bispos ali reunidos decidiram pela condenação dos inconoclastas ([Do gr. eikonoklástes.]Diz-se de que destrói imagens ou ídolos; pessoa que não respeita as tradições, a quem nada parece digno de culto ou reverência.) “Anátema aos que não saúdam [veneram] as imagens santas e veneráveis. Anátema aos que chamam de ídolos as imagens sagradas”.







Principal Decisão:







Contra os inconoclastas: Há sentido e liceidade na veneração de imagens;







Por André Rodrigues







BIBLIOGRAFIA: História da Teologia Cristã Roger Olson Ed. Vida



Dicionário Teológico Claudionor Corrêia de Andrade CPAD



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